Vendo o silêncio do filho, Camila suspirou profundamente.
— Às vezes, a tortura psicológica fere mais que a lâmina física.
— Você não entende as mulheres.
— Talvez ache que, por não a ter deixado passar fome e ter dado bens materiais, foi o suficiente.
— Mas nós, mulheres, muitas vezes não queremos nada disso.
— Eu sou mulher, naturalmente conheço a Luana.
— Ela era sensata, agia com dignidade.
— E, toda vez que olhava para você, os olhos dela brilhavam.
— Foi por isso que a escolhi para ser sua esposa.
Ao chegar nesse ponto, a expressão calma de Camila transformou-se em pura dor e indignação:
— Eu pensei que, já que nunca tive um casamento feliz, ao menos você teria.
— Nunca imaginei que acabaria assim.
— Nesta vida, odeio seu pai até os ossos, mas também o amei até a alma.
— Seu pai, para mim, tornou-se apenas um sonho distante.
— Eu via a mim mesma na Luana.
— Por isso tentei de tudo para impedir você e a Vanessa.
— O que você sente pela Vanessa não é amor, é culpa.
— Culpa por ela ter perdido as pernas.
— Por isso você a protegia de tudo, enquanto feria a Luana até não restar um pedaço intacto nela.
— Foi erro meu não ter te ensinado direito.
— Foi erro meu ter ficado imersa na minha própria infelicidade conjugal.
— A culpa é minha... A culpa é minha.
Enquanto falava, os olhos de Camila avermelharam.
Ela enxugou as lágrimas do rosto e se virou, caminhando para longe.
Camila se arrependia amargamente.
Se tivesse explicado tudo antes, talvez Luana não tivesse morrido.
Seu filho teria descoberto seus sentimentos a tempo.
Seriam uma família tão feliz.
As mãos de Sebastião, caídas ao lado do corpo, fecharam-se em punhos.
Seus olhos estavam vermelhos de forma assustadora.
Uma aura assassina pulsava em seu semblante.
Em sua mente, as palavras de Camila ecoavam repetidamente:
"Luana te amava. Te amava a ponto de perder a si mesma. Um amor humilde e silencioso. Enquanto você se enrolava com a Vanessa, quantas facadas você cravou no coração dela?"
— O que minha mãe disse é verdade?
Ele perguntou para a Luana na cama.
No entanto, Luana não podia responder.
Ele soltou uma risada curta.
Foi um riso amargo, carregado de tragédia.
Ficou feliz ao ver Sebastião descendo e ia avisar Camila.
Mas, da cozinha, vieram sons de batidas e estrondos.
Suzana correu para lá.
Ela viu Sebastião cortando legumes de forma desajeitada e frenética.
Utensílios caíam no chão, e ele nem se importava em pegar.
E a panela já soltava fumaça de óleo queimado.
Com medo de um incêndio, Suzana ficou aterrorizada e correu para desligar o fogo.
Sebastião, que tinha acabado de cortar os legumes, virou-se.
Ao ver que Suzana desligara o fogo, seu rosto escureceu instantaneamente.
Ele rosnou:
— O que você está fazendo? Vou cozinhar para a Luana. Saia daqui.
A frase "cozinhar para a Luana" deixou Suzana paralisada de choque.
Demorou um tempo até ela voltar a si.
Quando percebeu, Sebastião já tinha levado a comida pronta para o andar de cima.
Suzana, com o rosto pálido de pavor, correu para o quarto de Camila:
— Dona Camila... O senhor Sebastião acabou de cozinhar para a Luana... e levou para o quarto.
Ao ouvir isso, o rosto de Camila ficou tão branco quanto seus lábios.
Com um baque surdo, ela deslizou da cadeira até o chão.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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