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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 219

— Teresa, cuide bem do Sílvio.

A voz de Luana soou definitiva.

Teresa sentiu um arrepio estranho, mas não ousou questionar.

— Pode deixar, senhorita. O patrãozinho é muito bonzinho. Vá tranquila para o trabalho!

— Uhum.

Luana saiu.

Ao cruzar o portão da mansão Jardins do Perfume, ela parou por um segundo.

A dor da separação era física, como se estivesse amputando um membro sem anestesia.

Mas ela não olhou para trás.

Naquela tarde, a notícia explodiu: Luana, presidente do Grupo Ramos, foi presa por desvio de verbas milionárias e fraude.

A manchete caiu como uma bomba no colo de Benito.

Ele correu para o escritório e deu a notícia a Sebastião.

O cigarro na mão de Sebastião parou no ar; a cinza caiu sobre a mesa.

Em sua mente, só passava a imagem da noite anterior: Luana, carente, sedutora, entregue.

O comportamento estranho dela finalmente fazia sentido.

Não era uma reconciliação.

Era uma despedida.

Ao perceber isso, o rosto de Sebastião ficou lívido.

Ele gritou com Benito, perdendo a compostura habitual:

— Ligue para o Luís! Descubra o que aconteceu no Grupo Ramos agora!

Benito obedeceu, as mãos tremendo.

Sua voz falhava ao relatar:

— É o Nilo, irmão da Fernanda. Ele apareceu com um contrato de aposta antigo, assinado pelo Luciano há cinco anos. Eles armaram uma cilada para a Senhora.

Meia hora depois, o documento estava nas mãos de Sebastião.

Ele leu as cláusulas e o ambiente congelou.

Mandou chamar Guilherme.

Quando o advogado chegou, Sebastião jogou o contrato na mesa com violência.

— Guilherme, dê um jeito. Tire ela de lá.

Guilherme, amigo de longa data, nunca tinha visto Sebastião tão descontrolado.

Ele analisou o papel e franziu a testa:

O tempo se arrastou.

Quando voltou, a resposta foi um balde de água gelada:

— Ela agradeceu a intenção, mas disse que dispensa sua ajuda. Ela pediu para o senhor não se meter.

A formalidade e a distância nas palavras de Luana feriram Sebastião mais do que qualquer grito.

Ela havia se entregado.

Havia desistido de Sílvio.

Estava morta por dentro.

No dia seguinte, a notícia piorou: Luana confessou o assassinato de Vanessa e a morte acidental de Fernanda.

Sebastião pegou Guilherme e voou para o presídio.

Ele entregou um gravador de voz ao guarda:

— Pelo amor de Deus, entregue isso a ela.

O guarda, sabendo quem era aquele homem poderoso de Porto Fundo, surpreendeu-se com a humildade do pedido e aceitou.

Sebastião esperou, o coração queimando em agonia.

O guarda retornou com o semblante pesado:

— Ela ouviu... chorou segurando o gravador, mas não disse uma única palavra.

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