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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 197

Fausto ainda tinha dificuldade em aceitar aquela lógica cruel, então argumentou:

— Mas a Luana é a mãe do filho dele.

— Será que ele deseja que o filho cresça órfão de mãe?

Luís franziu a testa e rebateu com cinismo:

— Em Porto Fundo, você já viu algum herdeiro se importar com a mãe da criança?

Fausto lembrou-se da elite dourada da cidade.

Viviam em festas, drogados de prazer.

Quando chegava a idade, casavam-se com quem os pais mandavam, uniões de negócios.

E continuavam suas vidas de libertinagem.

No fim, tudo se resumia a saber onde reencarnar.

Mulheres que abortavam ou eram descartadas por esses homens eram incontáveis; ninguém se importava.

— E agora? Vamos ficar de braços cruzados vendo a Luana ir para a prisão?

O coração de Fausto, já pesado, parecia ter sido esmagado após ver o estado de Luana.

Luís ficou em silêncio por um momento.

Então, pegou o celular e ligou para Nuno.

Nuno estava em uma situação difícil, mas seu pai ainda tinha raízes profundas em Porto Fundo.

Nuno só saíra para empreender para provar seu valor ao velho, afinal.

Enquanto isso, na mansão Jardins do Perfume.

Benito estava parado à porta do escritório, a expressão indecifrável na penumbra.

Seus ouvidos estavam atentos a qualquer som vindo lá de dentro.

Desde que Sebastião voltara do crematório, trancara-se no escritório com o diário de Vanessa, um dos poucos itens que restaram.

Benito montou guarda a noite inteira, sem ousar sair.

E Sebastião se isolou a noite inteira.

De repente, um choro estridente rompeu o silêncio da mansão.

Era o bebê.

O choro aumentava, um grito após o outro, cada vez mais desesperado.

Benito correu para o andar de baixo.

Na sala, Teresa estava banhada em suor, ninando Sílvio freneticamente.

Exausta, ela implorava:

— Sílvio, pare de chorar, por favor! Não chore!

Benito olhou para o rosto do bebê, vermelho e inchado de tanto gritar, e sentiu um gosto amargo na boca:

— Teresa, leve-o para o quarto.

Teresa usou uma mão para limpar o suor da testa, os olhos cheios de pânico:

— Sr. Benito, se eu subir, ele chora ainda mais.

Nenhum som escapou daquele quarto pelo resto da noite.

Teresa soltou um suspiro de alívio tão profundo que doeu o peito.

Naquela noite, Sílvio dormiu ao lado de Sebastião.

Na manhã seguinte, Sebastião levantou-se antes do sol.

Não tocou no café da manhã.

Mandou Teresa levar Sílvio de volta para o quarto dela e saiu.

Benito já estava com o carro pronto na porta da villa.

Sebastião entrou no Cayenne preto, que deslizou silenciosamente em direção ao centro de detenção.

Ao chegarem, Benito encostou o carro, desligou o motor e soltou o cinto.

Quando ia abrir a porta, ouviu o clique metálico de um isqueiro.

Olhou pelo retrovisor.

Sebastião, de cabeça baixa, acendera um cigarro.

A luz azulada da madrugada misturava-se à chama, iluminando um rosto marcado por sombras e melancolia.

Seu olhar, no entanto, fixou-se em algo lá fora, tornando-se afiado como uma lâmina.

Benito seguiu o olhar do patrão.

Viu um Land Rover.

A placa parecia familiar.

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