Assim que Fausto e Luís receberam a notícia da prisão de Luana, correram imediatamente para o centro de detenção.
Ao vê-los, Luana perguntou com urgência:
— Conseguiram um advogado para mim?
Os lábios de Fausto tremeram levemente antes de responder:
— Sr. Luciano... não há um único advogado em Porto Fundo que ouse aceitar o caso.
Luís também desviava o olhar, incapaz de encarar o desespero nos olhos dela.
Luana levou a mão à testa, soltando um gemido de frustração:
— Eu sequer vi a Vanessa.
— Foi tudo uma armadilha da Fernanda.
— Na verdade, antes mesmo de eu ir para a área litorânea, ela já tinha o laço preparado, apenas esperando que eu colocasse o pescoço.
Por causa de um único impulso, ela havia se colocado naquela situação, e o arrependimento a consumia como ácido.
Fausto tomou a palavra:
— A mandante não deve ser a Fernanda.
— Porque ela desapareceu.
— A polícia está revirando a cidade atrás dela, mas até agora, nada.
Ao saber do desaparecimento de Fernanda, Luana demonstrou surpresa, mas logo uma compreensão gelada tomou conta dela.
Seus lábios perderam a cor.
Vendo a palidez cadavérica no rosto da patroa, Luís tentou consolá-la:
— Dona Luana, fique tranquila.
— Eu e Fausto moveremos céus e terra para tirá-la daqui.
— E mesmo que falhemos...
Luís e Fausto trocaram um olhar pesado antes de ele continuar, hesitante:
— Ainda existe o Sr. Sebastião.
— Acreditamos que ele não deixará a senhora à própria sorte.
Ao ouvir o nome de Sebastião, o coração de Luana falhou uma batida.
Sua respiração tornou-se irregular.
As unhas cravaram-se na palma da mão, e seus lábios pareciam agora feitos de papel.
Luana sabia que as palavras de Luís eram apenas um consolo vazio.
A morta era Vanessa.
A mulher que Sebastião mais amava.
Como ela poderia depositar qualquer esperança nele?
Se ele não viesse pessoalmente para despedaçá-la, já seria uma misericórdia.
Luana repassou os fatos em sua mente, e a calma inicial deu lugar a uma tempestade silenciosa.
Ela temia, pela primeira vez, que este fosse o seu fim.
Com a voz embargada pela urgência, ela pediu:
— Luís, diga à Teresa para cuidar bem do Sílvio.
— Quando eu sair, recompensarei a lealdade dela.
— Se... eu realmente não sair daqui...
— O Grupo Ramos fica nas mãos de vocês.
— Eu confio em vocês.
Luana virou o rosto rapidamente, deixando para os dois homens apenas a visão de suas costas frágeis e solitárias.
Observando aquela silhueta isolada e melancólica, Fausto sentiu um nó na garganta:
— Luís, você acha que o Sr. Sebastião vai mesmo deixá-la apodrecer aqui?
Luís soltou um riso de escárnio:
— Com um homem como o Sebastião, é impossível saber.
— Quem morreu foi a 'luz da vida' dele.
Luís acompanhara toda a trajetória dolorosa entre Luana e Sebastião.
Na visão dele, Sebastião poderia até ter desenvolvido algum afeto por Luana com o tempo.
Mas, no coração daquele homem, Luana jamais ocuparia o trono que pertencia a Vanessa.
As brigas de antes eram triviais.
Agora, a amada dele estava morta.
E de uma forma brutal.
A garganta cortada, o braço decepado.
A notícia já corria por toda Porto Fundo: o amor de Vanessa por Sebastião lhe custou uma morte horrenda.
Luís suspeitava que a balança de Sebastião penderia, inevitavelmente, para o lado do túmulo de Vanessa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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