Ao ouvir o som da porta se fechando, Luana saiu do banheiro.
Viu Sebastião pegando roupas limpas e começando a se trocar.
Ali mesmo, na frente dela, sem nenhum pudor.
Olhando para aquele físico imponente, o abdômen trincado e definido, o rosto de Luana queimou novamente.
Ela gaguejou:
— Você... você não podia se trocar no banheiro?
Sebastião revirou os olhos, impaciente:
— Como se nunca tivesse visto. Que parte do meu corpo você não tocou? Que parte do seu corpo eu não mordi? Quanta frescura.
Ouvindo as palavras cruas de Sebastião, e lembrando das cenas entrelaçadas da noite anterior, o sangue de Luana voltou a ferver.
Sebastião vestiu a camisa, ajustou a gravata e arrastou Luana para fora do hotel.
— Vai me levar para o trabalho? — perguntou Luana assim que entraram no carro.
Sebastião ligou o motor e disse, seco:
— Para o Cartório. Vamos casar de novo.
A palavra "casar" aterrorizou Luana.
Ela agarrou a manga do paletó de Sebastião, falando com seriedade:
— Sebastião, isso não é brincadeira. Precisamos pensar muito bem.
Diante da recusa insistente de Luana, Sebastião perdeu a paciência.
Ele franziu a testa, descontente:
— Luana, em vez de dormirmos juntos de forma obscura, é melhor oficializarmos. Se acontecer algum acidente, metade dos meus bens será sua. Além disso, o Sílvio precisa crescer num lar estruturado.
As palavras de Sebastião pareciam um conselho, mas eram, na verdade, uma decisão unilateral e dominadora.
Ao mencionar Sílvio, Luana balançou.
Que mãe não quer dar uma família completa ao filho?
Mas Luana ainda estava em conflito, hesitante.
Após um silêncio, ela moveu os lábios:
— Você não gosta de mim. Se o divórcio for cancelado só pela criança, isso não é justo com ele.
A criança era apenas um pretexto.
Sebastião entendeu.
Ela estava questionando o amor dele.
Crrrriiiic —
O carro freou bruscamente no acostamento.
Sebastião segurou o queixo dela, apoiando a nuca com a outra mão.
Lábios roçando, respirações se misturando.
— O quanto você gosta?
Luana não conseguiu se controlar.
Quando percebeu, a pergunta já tinha escapado.
Diante da insistência dela, Sebastião baixou a cabeça e mordiscou o canto da boca dela.
Pensou por um momento e disse:
— Luana, eu quero te ver assim que saio do trabalho. Quero ver o Sílvio. Quero criar o Sílvio com você até ele virar homem. Embora talvez ainda não seja amor... eu vou me esforçar. Vou me esforçar para te amar, para construir nossa casa com você.
Apesar de uma pontada de decepção por não ser "amor", no fundo, Luana sentiu uma alegria tímida.
Seus olhos se tingiram de um sorriso.
O humor de Sebastião foi contagiado por ela instantaneamente.
Ele riu, pisou no acelerador e dirigiu para o Cartório.
Mas o Cartório estava fechado.
Era fim de semana.
Sebastião combinou com Luana de voltarem no dia seguinte e a deixou no Grupo Ramos para trabalhar.
Assim que Luana desceu do carro, recebeu uma mensagem anônima.
Ela pegou o celular e seus olhos fixaram na frase:
"Quer saber como seu pai morreu?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Por favor, libera mais capítulos!...