Entrar Via

Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 186

O sangue de Luana corria ao contrário, fervendo, gritando, rugindo dentro das veias.

Ela batia a cabeça contra a parede, repetidas vezes.

Não aguentava mais.

Alguém, por favor, a salvasse.

Justo quando estava prestes a perder a razão, prestes a colapsar completamente.

Ouviu-se um estrondo.

Luana olhou na direção do som e viu uma silhueta imponente avançar, chutando Plínio para longe com violência.

Sebastião.

Luana estava prestes a gritar o nome dele.

Mas, ao ver o rosto de João, o nome "Sebastião" travou em sua garganta.

João chutou Plínio mais duas vezes.

O sangue jorrava do nariz e da boca do canalha.

João não perdeu mais tempo com aquele lixo.

Ele caminhou até Luana e, sem dizer uma palavra, pegou-a no colo e saiu a passos largos.

O baque foi surdo.

Luana foi jogada no banco traseiro do carro.

João lançou um olhar para o rosto de Sebastião, que estava frio e escuro como as águas profundas, e zombou:

— O iceberg pegou fogo. Sebastião, vá logo apagar esse incêndio.

Ao carregar Luana, João sentiu que o corpo dela ardia como brasa.

A droga devia ser forte.

Mas, envolver-se nisso pessoalmente parecia impróprio para ele, por isso João estava irritado.

A porta do carro bateu.

Luana tentou se erguer, levantando a cabeça.

Seus olhos, febris e perdidos, encontraram um rosto de beleza devastadora.

— Sebastião...

A chama no peito de Sebastião rugiu com mais força.

Quanto aquele bastardo tinha dado a ela?

Depois, ele certamente despedaçaria aquele desgraçado.

Sebastião afastou a mão dela.

Queria abraçá-la, mas conteve-se.

O pescoço dela, erguido, era longo e elegante.

Os lábios vermelhos se abriam e fechavam, convidativos.

E aqueles olhos, desfocados e brilhantes, pareciam um lago de jade estilhaçado, refletindo o rosto dele, contido e no limite da tolerância.

Seu pomo de adão oscilou.

Com a voz rouca, ele perguntou:

— Vai ser aqui?

Ele pediu a opinião dela.

Mas ela... ela já não ouvia nada.

Bang!

A pouca razão que restava explodiu, colapsando em cinzas.

Sebastião virou o corpo, prensando-a contra o estofado do carro.

Direto.

Seu olhar sobre ela era profundo, insondável:

— Dormiu comigo e já quer fugir?

Luana hesitou, mordendo o lábio:

— Ontem à noite... foi um acidente. Eu não estava sã, mas você estava.

Se Sebastião estava lúcido, como permitiu que aquilo acontecesse de novo?

Da última vez, ela estava bêbada e acabou na cama com ele.

Desta vez, foi a droga de Plínio.

E, claramente, não foi apenas uma vez.

Sebastião não gostou do tom dela e retrucou.

O rosto de Luana corou violentamente. Ela gaguejou:

— Você... você está falando bobagem. Eu não fiz isso.

Embora sua consciência estivesse dominada pela droga, ela ainda tinha flashes de memória.

Maldito homem.

Sem vergonha.

Sebastião manteve a frieza:

— De qualquer forma, fui usado por você. Agora você tem que assumir a responsabilidade.

Dito isso, Sebastião apagou o cigarro.

Quando ele se levantou para sair da cama, a campainha tocou.

Antes que Luana pudesse impedi-lo, ele foi abrir a porta.

Luana correu para se esconder no banheiro.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais