Sebastião curvou os lábios em um sorriso cínico e soltou um escárnio frio.
— É melhor que seja.
O carro parou.
Sebastião arrancou a mão dela que envolvia sua cintura, abriu a porta e saiu.
Luana desceu com dificuldade, arrastando os pés.
Ela queria andar mais rápido, desesperada para ver Sílvio, mas seu corpo estava insuportavelmente mole.
Cada passo parecia pisar em nuvens instáveis.
— Espere por mim!
Luana tentou correr atrás de Sebastião.
À frente, Sebastião a ignorou completamente, sem sequer virar a cabeça.
Ele entrou na mansão a passos largos e decisivos.
Luana acelerou e finalmente o alcançou, respirando com dificuldade.
Ela olhou ao redor e percebeu que não estavam na Mansão Mendes.
O layout lembrava o Jardins do Perfume.
Ela balançou a cabeça, confusa, e gritou por Sílvio duas vezes, antes de chamar:
— Suzana.
Sem ver nem sombra de Suzana, Luana finalmente percebeu que havia caído em uma armadilha.
Ela gritou, furiosa, dirigindo-se a Sebastião:
— Sebastião, seu maldito, você me enganou?
Sebastião estava parado na sala de estar, examinando-a.
Ao ver o olhar dele, como se estivesse observando uma bêbada louca, a raiva de Luana explodiu.
Ela deu um passo à frente e agarrou o colarinho dele.
— Mande a Suzana trazer o Sílvio para baixo. Agora.
Sebastião continuou a encará-la, os lábios finos curvados em zombaria:
— Ela não está aqui.
Suzana não estava ali... Será que aquele lugar realmente não era a Mansão Mendes?
Luana pareceu finalmente recobrar a consciência.
Ela havia suportado aquilo a noite toda, mas o fogo em seu peito não podia mais ser contido.
— Sebastião, ver o meu desespero te diverte, não é?
— No seu coração, eu não passo de uma palhaça?
Era o filho dele também.
Como ele podia ser tão indiferente?
Será que o coração dele era feito de pedra?
Parecendo não querer perder tempo com uma bêbada, Sebastião desviou o olhar.
Ele arrancou a gravata do pescoço e começou a subir as escadas.
A campainha tocou.
Sebastião pegou o celular, conectado às câmeras de segurança do portão.
O tempo passou e Sebastião não saiu.
Incapaz de esperar mais, ela saiu do quarto e começou a vagar pela casa, procurando por Sílvio.
O telefone dela tocou.
Luana atendeu radiante, pensando ser Suzana.
— Suzana, finalmente você ligou! Onde você está? Por que não te vejo?
— O Sílvio ainda está chorando? Hum... Eu sinto tanta falta dele...
Sua fala foi cortada por uma voz ansiosa do outro lado:
— Luana, sou eu, o Nuno. Você está no Jardins do Perfume? O Sebastião fez alguma coisa com você?
— Nuno?
A consciência caótica de Luana pareceu clarear um pouco, e sua voz soou decepcionada.
— Ah, é o Nuno... Você... já voltou?
Luana se lembrou.
Nuno tinha apanhado no Bar Platina.
Ela tinha ido buscá-lo e expulsado os agressores.
Então, recebeu a ligação de Sebastião dizendo que Sílvio tinha chorado até perder a voz.
Preocupada com o filho, ela foi ao Clube Nove Céus encontrar Sebastião.
Nuno a tinha seguido até lá, mas agora...
Será que Nuno ainda estava no Clube Nove Céus?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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