No sonho de Luana, havia um beco escuro e profundo.
Um vulto de preto, sem rosto visível, corria à frente segurando Sílvio, enquanto ela o perseguia em pânico.
Finalmente, o caminho acabou.
A sombra virou-se lentamente.
No mundo de escuridão, um feixe de luz revelou o rosto da figura; parecia vagamente com Vanessa Alves.
O olhar da mulher estava cheio de rancor.
Seus lábios cor de rosa se moveram, pronunciando cada palavra pausadamente:
— Luana, meu filho se foi, e o seu também não vai viver.
Vanessa arremessou Sílvio violentamente contra o chão.
Uaaaa...
O choro nítido e alto rasgou o coração de Luana.
Ela gritou, trêmula:
— Sílvio!
Então, arrastou-se de joelhos, sem forças, até ele.
Ao levantar Sílvio do chão e tocá-lo, seus dedos ficaram cobertos de sangue vermelho e viscoso.
Luana acordou coberta de suor frio.
Percebendo que fora um pesadelo, ela tentou acalmar a respiração, mas a cena do sonho era tão nítida: Vanessa esmagando Sílvio no chão.
Luana levantou-se, foi até a janela e olhou para as estrelas esparsas no céu distante, seu coração ainda tremendo levemente.
Zumm, zumm, zumm —
O toque do celular rompeu o silêncio.
Ela se virou, encontrou o aparelho no canto da cama e olhou para a tela: 'Nuno Barbosa'.
Tão tarde, o que ele queria?
— Alô.
Ao ouvir a voz de Luana, Nuno emitiu sons embolados do outro lado:
— ... Luana, vem me buscar.
Era óbvio que o homem estava bêbado, e muito.
— Nuno, é melhor você ligar para a Bianca Rodrigues. Afinal, vocês são um casal.
Luana não queria ser a terceira pessoa, muito menos destruir a felicidade de Nuno.
Assim que ela terminou de falar, ouviu a voz de Nuno, com a língua enrolada:
— Acabou. Aquela mulher nunca gostou de mim de verdade.
No dia em que Luana deu à luz, Sebastião foi ao Hospital Memorial.
Luana ouviu do quarto o que Nuno disse a Sebastião.
Cadeiras e bancos estavam revirados.
Ao levantar os olhos, Luana viu que o homem sendo espancado por vários bandidos no canto era Nuno.
Ela correu imediatamente:
— Parem! Eu já chamei a polícia, eles estão chegando.
Os bandidos pararam, viraram-se e olharam para Luana com ar de quem não teme nada:
— Ele nos deve dinheiro. Você vai pagar?
— Quanto? — perguntou Luana.
— Duzentos milhões.
Ao ouvir isso, Luana suspirou frio:
— Acreditam se eu denunciar vocês por extorsão?
Como Nuno poderia dever dinheiro a bandidos?
— Denuncie! — O bandido fez bico, olhando para Luana de forma lasciva. — Estamos torcendo para que a polícia venha resolver isso para nós, assim prestamos contas.
Era visível que aquele bando havia sido contratado por alguém, por isso a arrogância.
— Nuno, é verdade? — Luana puxou Nuno do canto e perguntou friamente.
Nuno limpou o sangue do nariz, levantou as pálpebras pesadas e, com o olhar perdido focado no rosto bonito de Luana, assentiu levemente:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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