Jessica abaixou o telefone, ponderou com cuidado e o pegou de volta: — Tereza não é de misturar as coisas. Vamos chamá-la para uma consulta, não estamos pedindo que atenda de graça.
Norberto levantou os olhos, com seu rosto bonito exibindo espanto.
Jessica fez a ligação. Tereza conversou com ela brevemente e avisou que passaria por lá depois do expediente, mas que não cobraria a consulta.
Quando Jessica desligou, abriu um sorriso radiante: — Está vendo? Eu sabia que a Tereza não era desse tipo. Ela é médica, tem compaixão e jamais recusaria um paciente. Além disso, disse que não cobraria nada.
Norberto ficou estarrecido. Ela viria? E sem cobrar?
Será que...
Quando a noite começou a cair, Tereza chegou, sem trazer Delfina consigo.
Norberto estava esperando há muito tempo. Ao ver o carro dela se aproximar, caminhou até o portão do pátio para recebê-la.
Tereza desceu do carro segurando uma maleta médica.
— Deixe que eu carrego. — Norberto foi tentar ajudá-la.
— Não precisa, eu mesma levo. — Tereza recusou educadamente.
Norberto olhou para ela. Ela estava ainda mais bela e vibrante, como uma rosa que tivesse absorvido todos os nutrientes da terra.
Ele não sabia se era imaginação sua, mas a Tereza divorciada parecia realmente deslumbrante.
Ele a acompanhou escada acima. Na porta do quarto da avó Cardoso, Tereza virou-se e disse: — É melhor você não entrar, seria inconveniente.
Norberto estancou. A porta se fechou bem na sua cara.
Jessica subiu e, ao ver o estado apático do filho, suspirou silenciosamente.
— Desça e espere. Vai levar pelo menos meia hora.
Com as pernas rígidas, Norberto desceu os degraus. Olhou para trás uma última vez e sentiu uma tristeza inexplicável.
— Está gostando dela? — Jessica notou a expressão desanimada do filho, idêntica à de alguém com o coração partido.
— Mãe, não adianta mais falar nada agora. — Norberto ironizou sobre si mesmo.
— É, não adianta. A Tereza não se tornou nossa inimiga, o que já prova a generosidade e grandeza dela. — Depois do incidente com Hera Lopes e de ter adoecido gravemente, Jessica passou a enxergar a vida com mais clareza. Ela percebeu que as coisas que podiam ser mantidas nesta vida eram poucas, que a sinceridade era efêmera e que, quando se perdia uma oportunidade, a perda era definitiva.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......