Tereza olhou para ele, surpresa. Desde quando as emoções de Norberto haviam se tornado tão intensas?
Ele até falava com ela com os olhos vermelhos, como se tivesse sofrido uma ferida profunda.
— Norberto, já é tarde. Vá para casa e descanse. — Tereza o aconselhou em voz baixa.
— Aquela casa... está tão vazia. Eu não quero voltar para lá. — Norberto deu um passo à frente de repente, estendeu as mãos e segurou os braços de Tereza. Havia um traço de pânico e súplica em seu olhar: — Tereza, você volta comigo, por favor?
— Do que você está falando? — Tereza o empurrou bruscamente e recuou dois passos. — Nós já nos divorciamos. Eu nunca mais voltarei para aquela casa.
Empurrado daquela forma, Norberto pareceu recobrar um pouco a lucidez. Ele levou a mão à testa dolorida e murmurou com autodepreciação: — É verdade, você já não me ama faz tempo e não quer voltar para lá. Mas eu me acostumei com a sua presença. Agora que você não está, eu não consigo me acostumar.
— Pare de enlouquecer. Você vai se acostumar, sempre acabamos nos acostumando. — Após dizer isso, Tereza caminhou em direção ao elevador.
Norberto encostou-se na parede, a respiração agitada. Ele virou o rosto e observou as costas implacáveis de Tereza, sentindo um ímpeto de correr até ela e abraçá-la.
Tereza apertou o botão do elevador e olhou para ele, sem dizer uma palavra.
Passava da uma da manhã e Tereza ainda estava acordada quando seu celular tocou de repente.
Ela atendeu, mas ninguém disse nada do outro lado da linha.
Havia apenas o som de uma respiração ofegante e pesada, como a de alguém que havia bebido demais.
Tereza olhou para a tela e viu o nome de Norberto.
Ele parecia muito instável emocionalmente naquele dia. Ela segurou o telefone em silêncio.
A respiração do outro lado continuou, semelhante a uma fera encurralada ofegando na escuridão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......