Do outro lado da linha, Norberto hesitou por alguns segundos ao ouvir as palavras da filha. Quando finalmente falou, sua voz estava carregada de emoções complexas: — Entendi. Estão se divertindo? O papai provavelmente vai passar o Ano Novo no exterior e só voltará depois das festas. Delfina, você tem que ser boazinha e obedecer à mamãe.
— Mamãe, a gente não pode viajar para o exterior e passar a Ceia de Ano Novo com o papai? Eu acho que ele e a vovó devem estar muito sozinhos lá. — Delfina sugeriu do fundo do coração, sem parar de brincar com o animalzinho de brinquedo.
A voz de Tereza logo se fez ouvir: — Nós não vamos viajar. Este ano, vamos passar o Ano Novo com o vovô e a vovó.
Ao ouvir as palavras de Tereza, Norberto sentiu uma pontada afiada no peito. Um amargor indescritível o invadiu, como se estivesse sendo castigado, provando do mesmo veneno de abandono que ela fora forçada a engolir no passado. Ainda assim, ele aceitava aquela dor.
— Delfina, fique no Brasil e passe o Ano Novo com a sua mãe. O papai precisa cuidar da vovó por aqui, ela está internada no hospital. — Norberto falou com a voz mansa e profunda.
— O que aconteceu com a vovó? Ela ficou doente? — Delfina ergueu o olhar para a câmera, correu até a mãe e pegou o celular de suas mãos.
Enquanto o aparelho balançava, Norberto conseguiu ter um vislumbre de Tereza. Ela vestia um longo vestido rosa vibrante por baixo de um casaco, parecendo tão radiante quanto uma manhã de primavera. O olhar de Norberto escureceu e, justo quando ele quis observá-la um pouco mais, o rosto adorável de Delfina tomou conta da tela.
— Papai, qual é a doença da vovó? Por que ela tem que ficar no hospital fora do país? Ela não pode voltar? — Embora fosse muito pequena, Delfina tinha um histórico de internações, então compreendia perfeitamente o quão ruim era ficar presa em um hospital. Devia ser muito doloroso.
— Bem, a doença da vovó é um pouco complicada, ela precisa ficar internada no exterior. — Norberto encerrou o assunto, evitando dar detalhes sobre o estado de Jessica Oliveira.
Ao escutar a conversa, Tereza franziu a testa.
Naquele exato momento, a voz de Tristan ressoou da porta, terna e cheia de afeto: — Tereza, o jantar está pronto. Quer descer para comer agora?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......