— Essa é uma ideia a se considerar, vou guardar para o futuro. — Os olhos de Tereza brilharam com a sugestão, e ela abriu um sorriso.
— Essa é a minha garota. — Filomena ficou radiante em um instante.
Ela percebeu que, após o divórcio, a filha havia recuperado a sua antiga essência travessa. Suspirou intimamente, perguntando-se o que, afinal, o casamento trazia de bom para uma mulher.
Após a refeição, Tereza se levantou de imediato para recolher a louça, pois a empregada já havia encerrado o expediente.
— Deixe aí, eu faço isso! — Filomena prontamente a impediu, segurando suas mãos. — Hoje você não precisa fazer nada, vá descansar.
— Por que não? Daqui para frente, virei todos os dias para me aproveitar da sua comida, preciso ajudar em algo. — Tereza ainda tentou puxar a louça para si, na intenção de lavá-la.
— Você é a protagonista hoje. Como posso deixar a protagonista trabalhar? — Filomena deu uma risada afetuosa.
— Protagonista de quê? — Tereza estava completamente confusa.
— A protagonista que acaba de recuperar a sua liberdade. — Explicou Filomena, com os olhos sorridentes.
Tereza não sabia se ria ou se chorava com a brincadeira.
Na manhã seguinte, por volta das onze horas, em uma tradicional casa de chás, uma mulher rechonchuda entrou carregando uma bolsa da Louis Vuitton.
— Sra. Marques, por aqui. — Eduardo Barreto ergueu rapidamente o braço para chamar a atenção dela.
— Quem diria que a pessoa que marcou um encontro comigo seria um rapaz tão bonito. — Paula Marques ergueu levemente o queixo, caminhando com uma elegância forçada até Eduardo. Por trás dos óculos, seus olhos o avaliaram de cima a baixo antes que ela abrisse um sorriso lisonjeiro.
Eduardo tinha uma aparência agradável. Não era um galã de cinema, mas, aos olhos da maioria das pessoas, possuía traços bem desenhados e certamente se qualificava como um homem atraente.
— Então, vejo que encontrei a pessoa certa. — Eduardo riu, aliviado.
— Sem dúvida. — Paula ergueu o queixo de forma presunçosa. — E você definitivamente procurou a pessoa certa. Eu nunca escondo nada de homens bonitos.
Eduardo deu um sorriso um tanto tenso. Começava a ter a incômoda sensação de que a Sra. Marques estava interessada nele além da conta.
Bem ali ao lado, atrás de um biombo onde a iluminação era mais escassa, Norberto estava sentado, bebendo seu chá em um ritmo arrastado.
Óculos de sol escuros escondiam boa parte de seu rosto, revelando apenas os contornos firmes de seu maxilar e uma expressão profundamente severa.
Trajava um terno executivo impecável; o paletó cinza-chumbo sobreposto a uma camisa preta, abotoada com rigor. Sentado ali, estático, assemelhava-se a uma estátua fria, desprovida da presença vital que Tereza sempre lhe conferia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......