Hera abriu as mensagens para conferir e se deparou com fotos de Tereza e Norberto aparecendo juntos em frente ao cartório.
O coração de Hera deu um solavanco. Eles haviam se divorciado?
Em seguida, a pessoa enviou uma nova mensagem:
— Diretora Lopes, por favor, verifique estas fotos.
Naquele momento, Hera foi tomada por um misto de alegria e preocupação. Norberto finalmente havia se divorciado de Tereza, mas ela própria, por causa de um passo em falso, acabara sendo expulsa da residência da Família Cardoso.
— Obrigada pelo esforço. A compensação combinada será transferida para a sua conta pontualmente.
Hera enviou a resposta.
Por volta das oito da noite, o carro de Tereza estacionou em frente à casa da Família Leal.
Sentada no banco do motorista, ela observou a rua familiar e a luz amarelada e acolhedora vinda do quintal. Parecia que um peso finalmente havia sido tirado de seus ombros.
Ela havia retomado a sua identidade como Senhora Leal, cortando todos os laços que a prendiam a Norberto.
Desceu do carro, pegou as frutas que havia comprado e entrou.
Filomena Junqueira acabara de dar meia tigela de comida para Delfina Cardoso quando ouviu passos vindo da porta. Ao erguer os olhos, viu que a filha havia chegado.
— Mamãe!
Delfina correu alegremente em sua direção:
— Você já saiu do trabalho?
Tereza estendeu a mão, acariciando suavemente o rostinho da menina, e respondeu com ternura:
— Sim, acabei de sair. Vocês já jantaram?
Filomena sorriu ao lado e interveio:
— Nós também acabamos de comer. Guardamos o seu jantar, vá logo comer.
— Está bem!
Tereza entrou com um sorriso. Flávio Leal olhou para ela e perguntou:
— As questões do divórcio já foram todas resolvidas?
Tereza assentiu com a cabeça:
— Sim, tudo resolvido.
— Que bom. Aquele sujeito não dificultou as coisas para você, não é?
Tereza ficou surpresa. O golpe que seu irmão havia sofrido desta vez fora muito maior do que qualquer outro no passado.
Tereza preferiu não fazer mais perguntas. Ela já sabia do quadro geral. Sua cunhada estava ameaçando pedir o divórcio e até se mudara da casa deles, voltando a morar com os pais. Não atendia ligações, não respondia mensagens, e Ramiro agora não tinha sequer a chance de vê-la.
— Tente esfriar a cabeça. Vou descer para jantar.
Tereza não era muito boa em dar conselhos. Virou-se e desceu as escadas.
Durante o jantar, Filomena também se mostrava conformada com a própria impotência e comentou:
— Ofélia é uma boa menina. Seu irmão é que não teve competência para mantê-la ao lado dele. Ah, e nós, como pais, também não temos muito o que dizer ou aconselhar num caso desses.
Tereza sabia que seus pais também estavam sofrendo. Agora ela estava divorciada e, se o irmão mais velho também se separasse, a Família Leal provavelmente precisaria procurar uma benzedeira ou tomar um banho de sal grosso para descobrir que tipo de mau-olhado havia se abatido sobre eles.
Tereza limitou-se a concordar com um sorriso fraco. Ela não gostava de ditar regras morais. Acreditava que o caso do irmão exigia que ambas as partes esfriassem a cabeça para, então, reavaliarem se aquele relacionamento ainda tinha futuro.
Além disso, se ela não conseguira salvar nem o próprio casamento, que moral teria para dar conselhos aos outros?
Por isso, ela apenas abaixou a cabeça em silêncio e continuou comendo o seu jantar, enquanto Noemi escutava a mãe falar quietinha.
Flávio havia levado Delfina para brincar na pequena praça lá fora. Filomena olhou para o portão e, em seguida, voltou um olhar cheio de compaixão para a filha:
— Tereza, você e o Norberto se divorciaram. Está doendo muito aí dentro?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......