Mas Jessica estava irritada com o filho e, quando ele estendeu a mão, ela o empurrou bruscamente.
Norberto, sentindo-se impotente, não teve outra escolha senão ficar ali parado.
O corredor permaneceu em silêncio por um longo tempo, até que Jessica cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar:
— Era um menino... Como podia ser um menino?
A velha senhora também exibia uma expressão de profunda decepção e murmurou:
— O filho de Alarico se foi. Se Alarico visse isso lá do céu, ficaria tão triste... Ah, ele partiu tão cedo, e agora sua única semente... também desapareceu.
Dona Lídia amparou a velha senhora e a ajudou a se sentar em uma cadeira próxima. Ela fechou os olhos e moveu os lábios suavemente, como se murmurasse uma prece ou fizesse uma oração.
Norberto observou a dor de sua família, permaneceu em silêncio por um momento e disse:
— Mãe, avó, por favor, não contem nada sobre isso para a Hera por enquanto.
Jessica levantou a cabeça e lançou-lhe um olhar feroz, com os olhos inchados:
— Ela vai descobrir mais cedo ou mais tarde. Acha mesmo que podemos esconder isso?
Norberto a encarou e respondeu:
— Ela acabou de sair da cirurgia e ainda não se recuperou. Se souber que perdeu o filho, não vai aguentar. Quando estiver mais forte, se ela quiser investigar, descobrirá por conta própria. Mãe, se falarmos agora, temo que não consigamos salvar o outro bebê.
A velha senhora abriu os olhos, olhou para o neto e disse com a voz grave:
— Norberto tem razão. Vamos manter isso em segredo por enquanto. Ninguém deve deixar escapar uma palavra sequer.
Dona Lídia apressou-se em intervir:
— Não se preocupe, senhora. Minha boca é um túmulo.
Jessica enxugou as lágrimas e respirou fundo:
— Eu entendi. Não direi nada.
Naquele momento, Hera foi trazida para fora. O efeito da anestesia ainda não havia passado e ela continuava inconsciente. Jessica olhou para ela com o coração partido e a acompanhou até o quarto de hospital de alto padrão.
Jessica pediu que trouxessem de casa uma refeição nutritiva e orientou Norberto a ficar de guarda no quarto por um tempo. Ao acompanhar a velha senhora até o andar de baixo, Jessica finalmente disse:
— Mãe, a Tereza chegou. Ela está no estacionamento. Vamos ouvir o que ela tem a dizer.
A velha senhora se surpreendeu e perguntou:
— Você realmente acredita que foi a Tereza quem causou tudo isso?
Jessica respondeu, irritada:
— Quando outras pessoas conversam com a Hera, nada acontece. Por que, logo depois de bater um papo com a Tereza, a Hera ficou com tanta raiva a ponto de sentir dores na barriga? Mãe, você ainda acredita que ela é inocente?
Tereza respondeu friamente:
— Vocês não deveriam vir me cobrar explicações. A conversa daquela manhã não foi iniciativa minha.
Na verdade, a velha senhora já havia percebido a situação. A pessoa que sempre gostava de arrumar problemas era Hera. Tereza não era do tipo que provocava confusão à toa; afinal, ela sempre teve uma agenda muito ocupada.
— Tereza, conte-nos o que exatamente aconteceu. Eu não vou tomar partido de ninguém, só quero ouvir a verdade.
A atitude da velha senhora foi um pouco mais amena.
Tereza sabia que não conseguiria se explicar apenas com palavras, mas, felizmente, já havia se preparado para isso.
Assim, ela simplesmente pegou o celular, abriu uma gravação de áudio, apertou o botão de reproduzir e ergueu o aparelho diante delas.
A voz de Hera ecoou nítida na gravação.
— Ele mesmo admitiu. E eu já tinha percebido naquela época. O jeito que ele me olhava era diferente. Ele se preocupava comigo inconscientemente, se importava com quem eu conversava e fechava a cara quando outros homens se aproximavam de mim...
— Então, por que você acha que conseguiu se casar com ele?
— Como é a sensação de ser esmagada na carreira por uma substituta?
— Ele já teve sentimentos por mim, e nunca me esquecerá nesta vida. Ele só se casou com você porque eu me casei com o Alarico. Como ele não pôde me ter, não teve outra escolha a não ser se contentar com a segunda opção...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......