Pouco tempo depois, Hera apareceu e, ao entrar, acomodou-se no sofá em frente.
— O que você queria dizer antes? Pode falar agora. — Tereza a observou fixamente.
— Você sabia que, na juventude, ele foi apaixonado por mim? — Hera respirou fundo antes de começar.
Tereza permaneceu em silêncio, apenas mantendo os olhos nela.
— Ele mesmo admitiu. Eu já tinha percebido naquela época, sabe? O olhar dele para mim era diferente. Ele se preocupava comigo de forma inconsciente, prestava atenção em com quem eu conversava e fechava a cara sempre que algum outro homem se aproximava de mim... — Hera abaixou a cabeça, esboçando um sorriso que misturava um orgulho oculto com um toque de autodepreciação.
— E daí? — Tereza, que escutava tudo recostada no sofá e de braços cruzados, perguntou com indiferença.
Hera vacilou. Ver a expressão tão imperturbável da outra fez com que uma angústia inexplicável tomasse conta de seu peito.
— E daí que você deveria se perguntar o verdadeiro motivo pelo qual conseguiu se casar com ele. — Ela engoliu em seco, reunindo toda a sua coragem para disparar.
— Eu, pessoalmente, nunca perdi tempo pensando nisso. Porém, os rumores alheios me deram algumas respostas. O que você quer dizer é que sou apenas a sua substituta, não é? — Tereza tomou um gole de seu chá com a maior serenidade e prosseguiu. — E como é a sensação de ser esmagada profissionalmente pela sua própria substituta?
— Ele me amou, e jamais vai me esquecer pelo resto da vida! Ele só se casou com você porque eu me casei com Alarico. Como não pôde me ter, ele se contentou com o prêmio de consolação... — O belo rosto de Hera perdeu a cor, e seus dedos apertaram o tecido da saia com força, visivelmente tomada pela fúria.
— Hera. — Tereza a interrompeu com rispidez. — Você está me dizendo tudo isso para se gabar?
— Tereza... como você ousa dizer uma barbaridade dessas?! Eu me casei com Alarico porque fui forçada, não porque eu queria... — Hera levantou-se de supetão, consumida pela indignação e pela vergonha, com o rosto retorcido de raiva.
— Sua reação exagerada me diz que eu acertei na mosca. — Tereza fixou os olhos nela. — Você apostou todas as suas fichas em Alarico, crente de que ele seria o líder. Mas o destino foi cruel e te deu um golpe fatal. Alarico renunciou por vontade própria, Norberto assumiu o comando, e só então você percebeu que tinha escolhido o homem errado, não foi?
— Isso é mentira! Não fique inventando coisas! — Hera gritou, os lábios tremendo de tanto ódio.
— Hera, tudo o que fazemos deixa rastros. Você pode negar o quanto quiser, mas os fatos falam por si sós. Eu não sei exatamente que truques você usou para se casar com Alarico, mas de uma coisa eu tenho certeza: não foi por amor. E, já que o amor não estava na equação, sua ambição só poderia ser uma: a posição de nora mais velha da Família Cardoso, o cargo de esposa do herdeiro.
— Cale a boca, Tereza! Você não sabe de absolutamente nada, então pare de falar asneiras! — Hera perdeu o controle, repreendendo-a de forma histérica.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......