Ele ergueu a cabeça e, ao perceber que era Hera quem entrava, franziu ligeiramente as sobrancelhas.
Em seguida, encerrou a chamada, deixou o aparelho sobre a mesa e fixou o olhar nela.
— Precisa de algo? — Norberto perguntou, com um tom de voz indecifrável.
No entanto, Hera conseguiu perceber a diferença em relação ao tratamento de antes. No passado, sempre que ela entrava, ele se levantava no mesmo instante e perguntava com um sorriso.
Mas agora, sequer havia se mexido, permanecendo comodamente sentado em sua cadeira de couro preta.
— Norberto, nós podemos conversar? — A voz de Hera estava um pouco rouca.
— Você deveria concentrar suas energias em cuidar do seu corpo agora. Não fique andando para lá e para cá. — Norberto franziu a testa ao falar.
— Eu estou bem. É só que, ultimamente, não tenho conseguido comer direito e perdi alguns quilos. O médico disse que o bebê está super saudável, e que daqui a quatro meses eu vou voltar a ter apetite. Provavelmente vou engordar bem rápido quando essa fase chegar...
— Hera. — Norberto interrompeu a ladainha dela. — Você pode falar dessas coisas com a mamãe. Eu estou um pouco ocupado aqui, mas daqui em diante ela vai te ajudar de todo o coração com tudo que você e a criança precisarem.
— Norberto... — Os olhos de Hera avermelharam-se; ela parecia magoada e ressentida.
Vendo que ela não pretendia ir embora, Norberto levantou-se e foi em direção ao sofá: — Se tem algo a dizer, sente-se e fale.
Hera continuou parada onde estava, sem se mover, como uma criança emburrada fazendo birra.
— Norberto, você está me evitando ultimamente?
O olhar de Norberto paralisou. Encarando os olhos interrogativos de Hera, ele abaixou a cabeça, permanecendo em silêncio.
— Eu sempre quis te perguntar sobre isso, mas nunca encontrei a oportunidade certa. Norberto, quando éramos jovens e começamos a descobrir os sentimentos, você chegou a se apaixonar por mim, nem que fosse uma única vez? — Hera não estava mais disposta a deixá-lo fugir do assunto. Queria questioná-lo de forma direta, não importando o resultado.
De qualquer forma, não importava o desfecho, nada poderia ser pior do que a situação em que se encontrava agora.
O escritório mergulhou em silêncio. A garganta de Norberto parecia ter sido asfixiada por um veneno letal, emudecendo-o; o único som audível era a batida acelerada de seu coração no peito.
— Quero que você diga a verdade. — Hera cravou os olhos no rosto dele, notando o pomo de Adão de Norberto mover-se suavemente.
— Sim! — A confissão de Norberto fez todo o espaço mergulhar em um silêncio absoluto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......