A voz do garçom ainda não tinha terminado de ecoar quando uma voz infantil e alta soou.
Logo em seguida, Hera Lopes viu um par de sapatos masculinos de couro brilhante e levantou a cabeça lentamente.
Diante dela, estava Norberto Cardoso, segurando Delfina Cardoso nos braços.
— Norberto... irmão. — Hera estendeu a mão, apoiando-se no corrimão ao lado, e levantou-se lentamente.
— Torceu o tornozelo? — Norberto olhou para ela e depois para os pés dela.
— Não foi nada, só dei um mau jeito sem querer. Eu estava jantando com uma amiga lá em cima, já terminamos e estávamos de saída. — Hera abaixou a cabeça imediatamente e respondeu em voz baixa.
— Titia, você não está grávida? Então tem que tomar muito cuidado e andar direitinho. — O rostinho de Delfina transbordava preocupação.
— Eu estou bem. Norberto, vocês... — Hera deu um sorriso pálido, lançando um olhar ressentido para Norberto.
— Tereza Leal e eu trouxemos a Delfina para jantar. Já terminamos e estamos de saída. — Enquanto falava, Norberto pegou o celular e fez uma ligação, pedindo para que Eduardo Barreto subisse.
Ao ouvir Norberto fazer aquela ligação, o coração de Hera gelou.
— Hera, o Eduardo vai te levar para casa daqui a pouco. Agora preciso ir pagar a conta. — disse Norberto, logo em seguida.
— Tchau, titia. — Delfina apertou os bracinhos em volta do pescoço de Norberto, encostou-se no ombro dele e acenou para Hera.
Hera arregalou os olhos, sentindo uma onda de ressentimento ferver dentro de si.
Nesse momento, Tereza também se aproximou, segurando o próprio casaco e um casaquinho rosa infantil.
— Tereza... — Hera a cumprimentou, fingindo gentileza.
— Norberto está com a Delfina no colo, ele não tem tempo. Além disso, esse machucado não é nada demais, é só passar uma pomada em casa que melhora. — Hera desvencilhou-se dos dedos da outra e respondeu em tom indiferente.
Mafalda não era boba. Já tinha entendido muito bem as entrelinhas daquela situação, e os cantos de seus lábios se curvaram ligeiramente.
Ela conhecia Hera há muitos anos. Os homens podiam até ser cegos para a manipulação daquelas que se fazem de santas, mas as mulheres tinham um radar afiado para desmascará-las; nasciam com esse sexto sentido.
A única coisa que ela podia dizer era que Hera estava sendo gananciosa demais.
Já havia se casado com Alarico Cardoso e ainda ousava cobiçar Norberto. Achava mesmo que era uma deusa irresistível, adorada por todos?
Ver Hera passar vergonha trouxe uma satisfação imensa para Mafalda. Elas eram amigas apenas de fachada; no fundo, Mafalda jamais desejaria que Hera tivesse uma vida perfeita.
Hera caminhou até o estacionamento apoiada no braço de Eduardo. Embora tivesse ido dirigindo o próprio carro, acabou pegando carona no veículo dele para voltar para casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......