As pessoas que passavam por ali lançaram-lhes um olhar discreto e rapidamente apertaram o passo.
— O Diretor Cardoso precisa de mais alguma coisa? — Tereza perguntou.
— O problema do meu irmão mais velho já foi resolvido. — Norberto a observou fixamente ao dizer isso.
— Ele me contou. Soube que foi você quem o ajudou. Obrigada, minha família e eu somos muito gratos pela sua assistência. — Tereza assentiu.
Ao ouvi-la dizer a palavra gratidão, e especialmente aquela última frase, Norberto sentiu cada sílaba reafirmando que ele agora era apenas um estranho.
Um estranho que merecia gratidão, polidez e distanciamento.
— Não precisa agradecer. — Sua voz saiu involuntariamente rouca. — Se eu posso ajudar, jamais ficaria de braços cruzados.
— Não, eu insisto em agradecer. — Com uma expressão perfeitamente calma, Tereza balançou a cabeça de leve.
Norberto a analisou ali na sua frente. Ela estava tão educada e, ao mesmo tempo, tão distante. Por um momento, ele não soube o que dizer.
— Tem algum compromisso para esta noite? Faz um bom tempo que não jantamos com a Delfina. Deixa que eu organizo tudo.
Tereza ponderou por dois segundos antes de concordar. Seria uma boa oportunidade para aproveitar o jantar e, finalmente, contar à filha sobre o divórcio.
Ao perceber que ela não recusou, um sorriso discreto surgiu nos lábios de Norberto.
— Então... nos vemos à noite. — Norberto se despediu e virou as costas para sair. Eduardo o aguardava na porta e, assim que o viu cruzar o batente, correu para dentro a fim de recolher os documentos.
No íntimo, Norberto se sentia um pouco canalha, usando o pretexto de cuidar da filha para convidá-la para jantar. Aquilo não era totalmente honesto de sua parte.
Mas ele não tinha escolha. Tereza era orgulhosa demais. Sem uma desculpa perfeitamente plausível, seria impossível convencê-la a sair.
Tereza dirigiu de volta à Vitalis Futuro. O céu lá fora estava acinzentado, ameaçando chover a qualquer momento.
Ao relembrar a conversa que teve com a filha no carro no dia anterior, uma pontada de dor atravessou o seu peito.
Naquela noite, ela teria que enfrentar a situação junto com Norberto. Seria a última atitude que tomariam juntos como pais casados.
Quando o garçom se aproximou para servir água e perguntou se aceitariam alguma sugestão, Tereza respondeu apenas que iria dar uma olhada primeiro.
Embora Norberto parecesse absorto nas brincadeiras com a filha, seus olhos eram inevitavelmente atraídos por Tereza.
Enquanto ela olhava para baixo, analisando o cardápio, os cílios longos projetavam sombras delicadas em formato de leque sobre as bochechas.
Aquela cena o fez lembrar do primeiro encontro deles. Ela estava visivelmente nervosa. Na época, ele havia dito para ela escolher o que quisesse, e, após folhear as páginas, ela optou por uma simples salada de pepino agridoce antes de devolver-lhe o cardápio.
— Pode pedir você. Veja o que a Delfina quer comer. Para mim, qualquer coisa está ótima. — Tereza disse.
Norberto assentiu e decidiu os pratos junto com Delfina, finalizando o pedido com o garçom.
Sob a iluminação quente do restaurante, os três sentados à mesa pareciam compor uma cena de absoluta harmonia.
Norberto desfrutava intensamente daquele momento de união familiar.
Mas, justamente quando começava a apreciar aquela fração de tempo, seu corpo tensionou. Será que o ser humano só aprendia a dar valor às coisas quando estava prestes a perdê-las?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......