Norberto recuou dois passos para se equilibrar. O sobretudo que segurava caiu no chão, e um filete de sangue brotou de seus lábios finos.
— Eliseu, o que você está fazendo? Bebeu tanto que não consegue mais reconhecer as pessoas? — Arturo e Caio ficaram paralisados diante da cena e se ergueram de imediato para intervir.
Arturo agarrou o braço de Eliseu, mas foi bruscamente empurrado.
— Vamos conversar com calma. Somos todos irmãos aqui, partir para a agressão não é o caminho. — Caio colocou-se entre os dois, fitando o rosto de Eliseu, que estava distorcido de fúria.
— Fale você! Conte a eles o grande favor que você fez! — Eliseu empurrou-o para o lado, avançou e agarrou Norberto pelo colarinho.
— Eliseu, você bebeu demais. — A voz de Norberto soou densa e fria como águas profundas, após encarar Eliseu sem qualquer expressão, afastar as mãos do amigo e limpar o sangue do canto da boca com um guardanapo de papel, sem demonstrar intenção de revidar.
— Eu bebi demais? — Eliseu soltou um riso de escárnio, uma risada que parecia mais dolorosa que um pranto. — Norberto, você nem se divorciou de Tereza e já tem um filho com Hera. Você ainda se considera um ser humano, seu desgraçado?
Assim que a frase foi dita, o silêncio tomou conta do ambiente.
Arturo ficou estupefato. Caio, mais ingênuo, arregalou os olhos. Ambos se viraram para Norberto.
Norberto observou os três, sua expressão assumindo um tom sombrio.
— Quem lhe contou isso? — A voz dele foi grave, carregada de uma força opressora.
— Importa quem disse? O que importa é se você fez ou não. — Eliseu respondeu, achando que a frase de Norberto era uma admissão indireta de culpa.
— Eu não fiz nada. O filho não é meu. — Norberto declarou após ficar em silêncio por dois segundos.
— Não é seu? Acha que eu vou acreditar só porque você está negando? — A fúria no rosto de Eliseu congelou por um instante.
— Estou dizendo a verdade. O filho é do meu irmão mais velho. — Norberto franziu a testa e declarou.
A cor desapareceu do rosto de Norberto. Ele nunca imaginou que esclarecer aquele mal-entendido seria uma tarefa tão árdua.
— Eliseu, eu não os estou tratando como idiotas. Apenas disse a verdade. Como irmãos, o fato de não acreditarem em mim me deixa profundamente decepcionado.
— Parem com isso, chega de briga. Norberto, você tem absoluta certeza? O filho de Hera não é seu de jeito nenhum? — Arturo ergueu as mãos tentando apaziguar os ânimos.
— É claro que não poderia ser meu! O que há de errado com vocês? Por que suspeitam de mim? Ela era minha cunhada e agora é como uma irmã para mim. Como poderia haver algo entre nós? — Norberto sentiu-se completamente impotente e, inflamado de irritação, varreu-os com o olhar.
— Norberto, então você e a Dra. Leal não vão mais se divorciar, certo? Se você e a Hera são como irmãos, vocês não estariam se divorciando por causa disso. — Caio piscou seus olhos inocentes e, ativando sua mente aguçada, ponderou por alguns segundos antes de dizer.
— Como você sabe que o meu divórcio com a Tereza tem a ver com as suspeitas dela sobre a minha relação com a Hera? — Norberto sentiu um solavanco no corpo, sua mente ficando em branco por alguns instantes antes de fixar o olhar em Caio.
— É o que todos nós deduzimos. O cuidado, o mimo e a proteção que você tem demonstrado por ela, tudo isso esteve aos nossos olhos. Se isso não for amor, então o que é? Irmãos nunca chegam a esse nível de devoção. — Caio piscou novamente, abrindo os braços num gesto descontraído.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......