Não se sabe se por pressentir o olhar de Norberto, Tereza ergueu a cabeça e lançou um olhar em sua direção.
Norberto fechou os olhos imediatamente, fingindo também estar adormecido, mas em sua mente surgiu um leve constrangimento, como se tivesse sido pego no flagra espiando.
Essa emoção desconhecida era algo que Norberto nunca havia experimentado.
Nesta viagem, parecia haver algo a mais em Tereza; sua personalidade também havia mudado.
Ela chorava, brigava, demonstrava temperamento.
A Tereza do passado era plácida, como um copo de água sem gosto: necessária, mas insípida.
A Tereza de agora parecia ter ganhado vida, permitindo que Norberto sentisse um sabor diferente.
Parecia, então, que durante todos esses sete anos, ela estivera fingindo.
Fingindo ser serena, compreensiva, a imagem da boa mulher que não reclama e não tem gênio forte.
Ele também acreditara que ela fosse exatamente esse tipo de pessoa.
Devia ter sido exaustivo manter aquele disfarce. Será que agora ela não conseguia mais fingir?
Norberto entreabriu levemente os olhos e olhou mais uma vez para a mulher sentada perto da janela. Naquele instante, refletindo sobre o assunto, ele finalmente encontrou a palavra certa: novidade.
Sim, era exatamente o frescor da novidade. Uma Tereza que discutia, praguejava, chorava e odiava era, de fato, vívida.
Quando o avião pousou, Tereza olhou pela janela, e a silhueta familiar da cidade tornou-se gradualmente nítida.
Depois de amanhã seria o dia da matrícula da filha. Pelo visto, os momentos felizes eram realmente efêmeros.
Após tirar uma soneca, Delfina pegou o iPad para jogar seus joguinhos. Norberto, sentado de frente para Tereza, quase não falou durante o trajeto, mas seu olhar sempre se voltava involuntariamente para ela.
Tereza o ignorava por completo.
O avião parou totalmente, e as portas da cabine se abriram.
Eduardo já aguardava lá embaixo e disse a Norberto:
— Diretor Cardoso, o carro já está pronto.
Norberto assentiu com a cabeça, olhou para Tereza e disse:
— Vamos, eu te levo de volta para o apartamento.
Quando Tereza estava prestes a falar, viu um sedã preto se aproximando.
A porta do carro se abriu, e quem desceu foi Henrique Cardoso.
Ele trazia um buquê nas mãos.
O buquê era de margaridas brancas acompanhadas de folhas de eucalipto, muito fresco e elegante.
Norberto franziu levemente a testa ao ver aquele exibicionista aparecer.
Henrique virou a cabeça e disse em tom de brincadeira:
— Foi a Tereza quem me contou. Conversamos um pouco sobre negócios antes de ela embarcar.
Ao lado, Eduardo comentou de supetão:
— O jovem mestre Henrique esperou por mais de uma hora. Ele chegou antes de todos nós.
A expressão de Norberto mudou sutilmente, e ele olhou para Tereza.
Logo depois, Norberto virou o rosto para olhar Henrique; havia um toque de aviso em seu olhar.
Henrique sustentou seu olhar sem recuar minimamente e, pelo contrário, sorriu.
— Primo, a Tereza é a chefe de pesquisa e desenvolvimento da minha Vitalis Futuro. Vim recebê-la no aeroporto em nome da empresa, você não vai ficar chateado, vai?
Esse tom estritamente profissional e perfeitamente justificável deixou Norberto sem ter como apontar qualquer falha em sua atitude.
Tereza, observando a situação, disse:
— Eu vou até a empresa com o Henrique, você pode levar a Delfina para descansar primeiro.
Norberto ficou atônito:
— Para a empresa agora? Você acabou de sair do avião, não precisa ter tanta pressa...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......