Tereza olhou para ela com gratidão:
— Célia, eu não estou me fazendo de fraca, é só que... pelo bem da Delfina, eu não quero que as coisas fiquem feias demais.
A energia de Célia murchou instantaneamente. Era verdade, a filha era a maior prioridade. Se a situação virasse uma guerra sem limites, como a criança conseguiria receber a parte da herança que lhe era de direito no futuro?
Célia aconselhou-a num tom brando:
— Tereza, se a Hera começar a lhe mandar absurdos no futuro, certifique-se de gravar tudo. Mesmo que você não chegue a usar, guarde como prova. Se um dia ela resolver perder a compostura e ir atrás de você, você a prega na cruz e escancara para todo o mundo ver como essa cunhada viúva desavergonhada destruiu a sua família, passo a passo.
Tereza jamais entraria em uma batalha desarmada. Antes, ela ainda estava atônita, sem conseguir digerir que o cunhado e a cunhada viúva pudessem ser tão abjetos. Agora, com a poeira abaixada, os fatos mostravam que eles eram capazes de descer ainda mais baixo:
— Pode ficar tranquila. Na última vez que ela veio me provocar, eu já deixei tudo gravado.
Após o jantar, as duas foram caminhar pela ponte.
A brisa do mar soprava, trazendo consigo o cheiro característico de sal e maresia.
— Tereza, quais são os seus planos para o futuro? Pretende se casar novamente? — Célia perguntou.
Tereza manteve o olhar fixo no oceano e respondeu:
— Primeiro eu vou finalizar o divórcio. Depois, focarei em fazer o que eu sempre quis, garantir uma vida maravilhosa para a Delfina e cuidar dos meus pais. Eles já estão envelhecendo e vão precisar de assistência.
Célia estremeceu por um segundo:
— E... o meu primo?
Tereza parou de caminhar e virou-se para encará-la:
— Célia, não quero usá-lo como minha tábua de salvação para curar feridas. Isso não seria justo com ele.
Célia ficou boquiaberta:
— Como assim tábua de salvação? E mesmo que fosse, o meu primo estaria disposto a aceitar isso com um sorriso no rosto.
Tereza ainda não tinha coragem de embarcar em um novo relacionamento:
— Com este casamento, aprendi que ninguém é perfeito. Norberto não é, e eu também não sou. Tenho medo de que a ganância escondida dentro de mim acabe exigindo em dobro, de outra pessoa, tudo aquilo que me foi tirado.
Célia olhou para ela, deu uma risadinha leve e não insistiu mais no assunto.
Se no momento já estava sendo difícil para Tereza conseguir o divórcio, que dirá engatar em um novo romance?
Célia respondeu com um sorriso:
— Tudo bem, se você não quer pensar nisso agora, não tem problema. A vida continua perfeitamente sem um homem. Mas eu tenho certeza de que o meu primo vai te esperar pacientemente, até você estar pronta para um novo recomeço.
Ao chegarem ao fim da ponte, as duas pararam. Diante delas, a vasta baía refletia as luzes da margem oposta. A Sky Tower havia se iluminado, erguendo-se como um farol para os navegantes, vigiando em silêncio.
Quando retornaram ao hotel, já passava das dez horas da noite. Tereza havia bebido um pouco de vinho, e suas bochechas estavam coradas.
Ela desejava ir até Norberto para buscar a filha de volta para o seu quarto.
O problema é que ela não sabia em qual quarto ele estava hospedado.
— Mesmo que você tente evitar, isso ainda existe. Somos marido e mulher. Qualquer mal-entendido ou conflito pode ser resolvido através do diálogo.
Tereza virou o rosto e o encarou com total apatia:
— Em breve não seremos mais marido e mulher. Estranhos não têm motivo para conversar sobre essas coisas.
Norberto apertou os lábios finos, com o semblante demonstrando um leve traço de irritação:
— Tereza, desde o dia em que te conheci, você nunca expressa os seus verdadeiros sentimentos. Você espera que eu adivinhe tudo o que se passa na sua cabeça? Se você quer que eu seja sincero com você, não deveria pelo menos demonstrar um pouco de boa vontade e me deixar saber o que você está pensando?
Tereza olhou para ele incrédula. Durante aqueles sete anos, Norberto raramente se irritava e quase nunca se exaltava com ela. A convivência deles sempre fora pautada em uma calmaria distante.
Mas agora, apenas por ela se recusar a conversar sobre Hera, ele estava realmente ficando furioso.
Com um olhar que misturava desprezo e ironia, Tereza rebateu, como se estivesse zombando de um animal teimoso:
— Agora você se importa com o que eu penso? Tarde demais. Eu não tenho vontade de dizer nem mais uma única palavra para você.
— Eu já sei. É tudo por causa do Tristan. — Norberto retrucou com um tom de escárnio, lutando para reprimir as próprias emoções.
O rosto de Tereza empalideceu instantaneamente de tanta raiva. A habilidade de Norberto em destilar acusações infundadas era realmente impressionante.
Tereza estava genuinamente furiosa. Talvez fosse o efeito do álcool; não se sabe de onde ela tirou forças, mas ela estendeu os braços e o empurrou com brutalidade:
— Norberto, não use a sua mente imunda para julgar os outros! Se você está apaixonado pela sua cunhada viúva, quer trair a sua esposa ou manter uma amante, o problema é inteiramente seu, mas não ouse tentar me arrastar para a lama com você.
Pego de surpresa, o corpo imponente do homem cedeu à força e cambaleou alguns passos para trás, batendo as costas contra a parede. Seus belos olhos se arregalaram em choque.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......