Hera caminhou a passos leves até ele. O vento soprava seu vestido fluido, delineando suas curvas femininas. Sob a luz quente das lâmpadas, ela parecia uma ninfa sedutora.
Ela parou graciosamente diante de Norberto.
Os olhos escuros de Norberto a fitavam. A imagem dela instantes atrás era muito bonita, mas Norberto percebeu que já não sentia aquela mesma sensação estranha de antes ao vê-la se aproximar.
— Por que está me olhando assim? — Hera sorriu com os lábios comprimidos, erguendo a mão para arrumar o cabelo atrás da orelha: — Lembra que você sempre dizia que eu não era bonita? Quando eu estava no ensino fundamental e cortei o cabelo bem curto, você me chamou de feia. Eu disse que o patinho feio com certeza acabaria virando um lindo cisne, e você riu de mim.
— É, eu me lembro. — Norberto deu um leve sorriso.
— E então, eu já virei um cisne? — Hera ergueu o rosto, com as mãos cruzadas nas costas, numa postura de menina delicada, e o encarou com os olhos brilhantes: — Sou o cisne que você imaginava? Ou... você ainda acha que não sou bonita o suficiente?
Norberto ficou um pouco desconcertado. Não sabia ao certo o porquê, mas o fato de Hera conversar com ele naquele tom fez com que se sentisse um tanto desconfortável.
Ele deu uma risada seca e a elogiou:
— Quando eu dizia que você não era bonita, era só para te irritar de propósito. Você é muito linda.
— É sério? — Hera não esperava que Norberto a elogiasse em um tom tão sincero. Sentiu-se secretamente lisonjeada e, no instante seguinte, não conseguiu se conter e perguntou: — Então, aos seus olhos, quem é mais bonita: eu ou a Tereza? Quem é mais feminina?
O olhar de Norberto ficou ligeiramente tenso, mas logo ele abriu um sorriso e respondeu:
— Não há como comparar isso. Você tem a sua beleza, e ela tem a dela. São incomparáveis.
— Como assim incomparáveis? A visão que vocês, homens, têm das mulheres é diferente da nossa. Ouvi dizer que vocês só olham para o efeito geral e não prestam atenção em qual maquiagem a mulher está usando, qual é o penteado, ou se ela colocou lentes de contato. É verdade isso? — Hera o observava com um sorriso; naquele momento, ela estava de excelente humor.
Ela sentia que o fato de Norberto estar disposto a conversar sobre essas coisas provava que ele também prestava muita atenção nela.
— Norberto, você ainda não me respondeu. Eu tenho muita curiosidade. O que passava pela sua cabeça no dia do seu casamento? — Neste momento, Hera mostrava-se um pouco insistente, querendo ir a fundo no assunto.
Norberto franziu levemente a testa e virou-se para encará-la:
— Não vejo necessidade de responder a essa pergunta, Hera. E você também não precisa mais fazer esse tipo de questionamento.
— Mas eu quero saber. — Hera falou apressadamente, olhando diretamente para as íris escuras de Norberto, e então sua voz soou mais suave: — Eu só queria saber.
Naquele instante, Norberto sentiu-se como se estivesse sendo encurralado à beira de um abismo. Ele apenas continuou olhando para Hera até que ela, sem receber qualquer resposta, começou a ficar com os olhos avermelhados de lágrimas.
— Deixa para lá. Se não quer contar, não quero mais saber. — Após dizer isso, Hera deu meia-volta e deixou a sacada. No entanto, ao se afastar, ficou claro que estava chorando de frustração, passando as costas da mão no rosto para enxugar as lágrimas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......