— Quem sabe eles não voltam de lá esperando o segundo filho?
Debruçada sobre o volante, Hera soltou uma risada estridente, quase insana.
Cenas do passado vieram-lhe à cabeça: Tereza, com o ventre protuberante de grávida, ao lado de Norberto.
Norberto podia não amá-la, mas seria, sem dúvida, um marido responsável.
Se a viagem à Suíça estreitasse o relacionamento dos dois a ponto de Tereza engravidar novamente...
Hera sentiu calafrios percorrerem a sua espinha, dominada por um pressentimento aterrador de ruína iminente.
Antigamente, ela se aproveitava da boa índole de Tereza para agir com falsidade uma ou duas vezes, sem que a outra pudesse retaliar abertamente.
Mas agora, Tereza compreendia perfeitamente as suas intenções: sabia que ela desejava roubar-lhe tudo, e isso, com certeza, incluía a pequena Delfina, filha de Norberto.
Uma mãe, ao proteger a sua cria, seria capaz de cometer atrocidades.
O coração de Hera virou um mar de tormentos.
Ao chegar ao restaurante requintado, percebeu que a mesa reservada continuava vazia; o homem com quem iria se encontrar ainda não havia chegado.
Que falta de cavalheirismo! No passado, todos os homens com quem se relacionava chegavam adiantados para esperá-la. Ela definitivamente não tinha o costume de ficar plantada aguardando ninguém.
Hera acomodou-se, segurou o copo e tomou um gole de água. Ela, que já estava de mau humor, fechou a cara de vez ao perceber que teria de esperar.
Quando conferiu o relógio de pulso pela terceira vez, levantou-se num ímpeto.
O seu impulso era partir, mas a imagem da expressão severa e ameaçadora da matriarca surgiu em sua mente como um aviso.
— Após tantos anos, a Sra. Lopes parece ainda mais deslumbrante, e a sua elegância está ainda mais refinada. — comentou Isaac, com um sorriso largo, enquanto tomava o seu lugar.
Hera forçou um sorriso com os cantos dos lábios, em uma tentativa mínima de retribuir a cortesia.
— Sra. Lopes, creio que já estamos cientes das circunstâncias um do outro. Além do mais, sou um homem que detesta rodeios. Digo o que penso de forma direta, espero que não se importe. — disse Isaac, recostando-se na cadeira após fazerem os pedidos e encarando-a com um sorriso.
— Pois não, fique à vontade. — respondeu Hera, contraindo os dedos sobre os joelhos de forma quase imperceptível e devolvendo um sorriso forçado.
— Eu sei tudo sobre o seu histórico. Filha adotiva da Família Cardoso, diretora da Apex... Para alguém tão jovem, é um feito e tanto. Admiro muito mulheres fortes e independentes como você. — disse Isaac sorrindo novamente, tamborilando levemente os dedos sobre a mesa.
Hera brincou com a borda do copo. Permaneceu calada, apenas esboçando um sorriso contido.
Naquele instante, ela precisou lutar contra o ímpeto incontrolável de levantar-se e ir embora. Ficara evidente que o sujeito a sua frente não era minimamente respeitoso; tratava-se de um indivíduo com um enorme complexo de superioridade e um amante ferrenho do machismo, que sentia prazer em subjugar as mulheres.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......