— Tereza, já que você concordou em sair com ele e com a menina, não vou ficar segurando vela. Vou dar uma volta com a Fátima. — disse Célia, sorrindo, ao sair do banheiro e ter escutado a conversa.
— Tudo bem. — assentiu Tereza.
Às oito e meia, Eduardo já havia organizado todos os detalhes do passeio.
O utilitário esportivo preto partiu oficialmente do hotel.
A manhã de verão na Suíça exibia um ar puro e refrescante.
Ao longe, os Alpes ganhavam um brilho dourado sob a luz do sol. Nas ruas por onde o carro passava, já se viam muitos turistas caminhando sem pressa: jovens casais, pequenos grupos de amigos e famílias inteiras aproveitando o dia.
Norberto levava Delfina no colo, explicando-lhe as paisagens do lado de fora de tempos em tempos.
Tereza, sentada ao lado deles, permanecia em silêncio.
— Papai, para onde estamos indo agora? — perguntou a menina.
— Para Interlaken. — respondeu Norberto, apontando para as montanhas ao longe. — Lá tem montanhas com neve e lagos.
Tereza observava a conversa entre pai e filha com os braços cruzados.
Na verdade, tempos atrás, ela sempre desejara uma viagem exatamente assim: sem estranhos, apenas os três, como uma verdadeira família.
Agora que o seu desejo havia se realizado, o seu coração já não sentia mais a mesma alegria de outrora.
A convivência atual parecia mais uma forma de colocar um ponto final naquele relacionamento.
Ao chegarem a Interlaken, encontraram uma pequena cidade estrategicamente localizada entre os lagos de Thun e Brienz.
Durante o verão, Interlaken lembrava uma paleta de cores deixada por Deus na Terra.
As montanhas nevadas eram brancas, mas as águas dos lagos exibiam um azul profundo. Os gramados verdejantes e os chalés de madeira coloridos espalhados pelas encostas formavam um cenário de tirar o fôlego, como uma verdadeira obra de arte a céu aberto.
A embarcação afastou-se do cais, desenhando um rastro de espuma branca sobre as águas esmeraldas.
Delfina estava radiante com a companhia dos pais. Ao observar aquela cena, no entanto, Tereza sentiu uma amargura inexplicável. Há pouco, Delfina fizera Norberto prometer que passariam as férias ali todos os anos, e ele havia concordado.
Como aquele homem podia ser tão irresponsável? Ele abria a boca para fazer promessas que jamais seria capaz de cumprir.
Para o almoço, escolheram a vila de Grindelwald, amplamente conhecida como uma das cidades pequenas mais bonitas do mundo.
O local era cercado por montanhas nevadas, florestas e pastagens, com as encostas repletas de flores silvestres desconhecidas.
— Mamãe, a gente não devia convidar a Noemi e o Sr. Guedes para comerem aqui também? — perguntou Delfina de repente, visivelmente feliz enquanto saboreava o seu churrasco com queijo e a sua linguiça assada.
A expressão de Tereza congelou.
Norberto também largou o garfo e tomou um gole de sua bebida gelada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......