Delfina atirou-se rapidamente em seus braços.
Tereza agachou-se para segurá-la com firmeza e, instintivamente, beijou o seu rostinho.
— Meu amor, quem trouxe você aqui?
— Claro que foi o papai. — Delfina abraçou o pescoço dela e olhou para trás, em direção ao corredor.
Norberto estava ali, com as mãos nos bolsos, segurando uma pequena mochila que continha todas as coisinhas de Delfina: lanchinhos e um copo de água. Ele exibia a verdadeira imagem de um pai coruja.
Seu olhar pousou sobre a mãe e a filha, mas ele não se aproximou para interromper aquele momento de ternura.
Tereza lançou-lhe um olhar frio, depois acariciou gentilmente os cabelos da filha.
— Vá me esperar na sala de descanso, eu já vou para lá.
— Uhum. — Delfina assentiu de forma obediente.
Norberto segurou a mãozinha da filha e olhou para trás, encarando Tereza.
Tereza, no entanto, apenas observava as costas da menina.
Para quem visse de fora, aquela seria uma cena muito comum: um marido levando a filha para visitar a esposa no trabalho. Em uma família normal, não haveria nada mais trivial.
Mas apenas Tereza sabia da imensa distância que já separava ela e Norberto.
Após terminar o trabalho que tinha em mãos, Tereza tirou o jaleco e foi até a porta da sala de descanso.
Antes mesmo de entrar, ouviu a voz de Hera vindo lá de dentro.
O corpo de Tereza enrijeceu. Ela abriu a porta imediatamente e viu Hera em pé ao lado da mesa de centro, segurando duas xícaras de café e acompanhada de alguns docinhos.
— Mamãe, a tia veio me ver. — disse Delfina, toda alegre.
Hera virou-se para olhar Tereza, exibindo um sorriso natural no rosto.
— Tereza, fazia alguns dias que eu não via a Delfina. Ela não está um pouco mais alta?
Tereza ignorou a pergunta e foi direto até Delfina.
— Você não pode comer coisas tão doces agora. Esses docinhos têm muito açúcar, melhor não comer, tudo bem?
Delfina já tinha levado seus próprios lanchinhos e, como tinha muito medo de ficar doente e ir ao hospital, a pequena já conseguia controlar a própria gula. Ela balançou a cabecinha.
— Tá bom, eu não vou comer.
O sorriso no rosto de Hera congelou no mesmo instante, e ela olhou para Norberto com uma expressão de quem havia sido injustiçada.
Foi então que Norberto interveio.
— Delfina realmente não deve comer doces. Ela vai começar a trocar os dentes em breve.
Hera não teve outra escolha senão sorrir.
— Ah, então é melhor não comer mesmo. Proteger os dentes é muito importante.
Hera colocou uma xícara de café diante de Norberto. Naquele momento, a porta da sala de descanso não estava fechada. Algumas colegas da Vitalis Futuro e da Apex estavam paradas ali, espiando para dentro. Elas queriam ver a pequena princesa da Família Cardoso, que combinava a genética do casal e, mesmo tão nova, já era de uma beleza impressionante.
Ao ver que havia pessoas na porta, Hera abaixou-se e falou com Delfina.
No fim, Hera só pôde forçar um sorriso que parecia educado e saiu da sala de descanso.
Aquele olhar que Tereza acabara de lançar a atingiu como uma agulha direto no coração.
O olhar parecia dizer: fique longe da minha filha.
Hera achou que aquilo seria apenas um pequeno incidente, algo que ninguém notaria.
Mas ela havia esquecido que seu histórico de fofocas com Norberto era tão vasto que qualquer detalhe seria ampliado dezenas de vezes aos olhos das fofoqueiras.
Uma hora depois, enquanto atendia clientes no térreo, Hera foi ao banheiro do andar.
Foi lá que ela escutou algumas pessoas conversando.
— Ei, ouviram dizer que alguém viu a Dra. Leal marcar território lá em cima? Ela não deixou a filha chegar perto da Diretora Lopes.
— A Dra. Leal dá até um pouco de pena. Não consegue segurar o marido, então pelo menos tem que manter a filha por perto, né?
— E a Diretora Lopes foi tentar ser simpática e acabou sendo esnobada. Cadê o orgulho dela?
— Que orgulho o quê? Ela já está tentando roubar o marido dos outros na cara dura, de onde ela tiraria orgulho?
— É verdade, os dois são casados. Ela não passa de uma amante de quinta categoria que deveria se colocar no seu lugar.
O peito de Hera subia e descia de tanta raiva. A sua vontade era invadir o local e dar um tapa na cara de cada uma delas.
Mas, por algum motivo, ela não encontrou coragem para empurrar aquela porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......