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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 306

— Assim como você e a mamãe me protegem e cuidam de mim até eu crescer? — Delfina escutava com muita atenção; depois, levantou a cabeça e olhou de um lado para o outro.

O coração de Tereza sofreu um aperto súbito, como se tivesse sido esmagado por algo pesado.

— Claro que sim. — Ela se abaixou e arrumou delicadamente o cabelo atrás da orelha da filha.

Norberto olhou para Tereza; prestando atenção, ele percebeu que a voz dela carregava um leve tremor e já não soava tão serena.

— E você, papai? — Delfina virou a cabeça e olhou para Norberto. — Eu sou a sua bebê, você também vai ficar comigo para sempre?

— Claro que sim. Você será para sempre a princesinha mais amada do papai. — Norberto assentiu, com o olhar transbordando de carinho.

Satisfeita com a resposta, Delfina sorriu e correu em direção à próxima vitrine.

Tereza lançou um olhar cortante a Norberto, com um ódio profundo estampado em seus olhos.

Norberto sentiu o corpo inteiro enrijecer. Em seguida, Tereza virou as costas e seguiu os passos da filha.

O humor de Norberto despencou, como se tivesse caído em um poço de gelo.

Ele nunca teve certeza se Tereza nutria algum tipo de sentimento quando se casaram, mas aquele olhar repleto de ressentimento e fúria havia provocado um mal-estar inegável nele.

Em seguida, ele observou os outros pais que acompanhavam seus filhos pelo salão, olhou novamente na direção em que Tereza e a filha haviam desaparecido, e deparou-se com uma constatação abrupta.

Talvez os dias em que sairiam como uma família de três estivessem contados.

Após o divórcio, cada um seguiria o seu rumo, e a menina acabaria vivendo com apenas um deles.

Uma sombra de emoção inefável e taciturna nublou o olhar de Norberto.

Quando terminaram o passeio no museu e saíram, já passava das quatro da tarde. Delfina estava completamente exausta.

Ela se aninhou no ombro de Norberto, com as pálpebras cada vez mais pesadas, até finalmente cair no sono.

Norberto a segurava com firmeza. Sentir a cabecinha dela encostada em seu ombro, com a respiração quente e rítmica, o preenchia com um senso de paternidade e gratidão tão fácil de alcançar, e ao mesmo tempo, tão valioso.

— Vamos. Vou levar vocês de volta para casa. — disse Norberto.

Tereza concordou com um aceno, sem fazer objeções.

— Obrigado por deixar o passado de lado hoje e vir passear com a nossa filha. — Já no carro, Norberto voltou-se de repente para Tereza.

— Não precisa agradecer. Eu não fiz isso por você de qualquer maneira. — Tereza ficou um instante em silêncio antes de responder, com o semblante frio.

— Eu sei. — Norberto calou-se por um segundo e, com um sorriso autodepreciativo, respondeu.

Ao retornarem ao apartamento, Dona Lígia levou imediatamente a adormecida Delfina para o quarto. Norberto examinou aquele ambiente novo; uma estranha sensação de não pertencimento o dominava.

— Vamos conversar no corredor. — Tereza o chamou quando ele estava prestes a se virar para ir embora.

O rosto de Norberto assumiu uma feição mais séria. Sabendo do que se tratava, ele a seguiu para o corredor e fechou a porta atrás de si.

— Mais cedo, você disse que queria adicionar uma condição ao acordo.

Tereza, encostada na parede, perguntou de modo gélido.

— Desde quando você aprendeu a bater nos outros?

Nos últimos sete anos, Tereza não tinha levantado a mão para ninguém; ela nem sequer dizia um palavrão. Era uma mulher repleta de civilidade e de refinamento. Norberto jamais pensara que ela fosse capaz de agredir alguém fisicamente. Mas hoje, os seus olhos haviam se aberto.

— Escute aqui, Norberto. Alguém tão repulsivo e sem caráter como você não merece justiça alguma. — A voz de Tereza era afiada e gélida como o gelo.

O rosto de Norberto sofreu uma miríade de espasmos. Ele abriu a boca, mas a cólera roubou-lhe as palavras.

— Se eu soubesse, há sete anos, que o seu coração já pertencia ao seu primeiro e grande amor, eu jamais teria me casado com você. — Tereza fuzilou-o com os olhos e disparou sílaba por sílaba.

— De que grande amor você está falando? — O olhar de Norberto exibia frieza e distanciamento.

— Preciso ser ainda mais clara? — Tereza já não aguentava mais. A audácia de Norberto em mentir descaradamente, olhando em seus olhos, era, no mínimo, assombrosa.

Os olhos de Norberto tornaram-se sombrios; os seus lábios estavam pressionados numa linha fina.

— Quem é que você carrega no coração? Por quem é que você me abandonou, uma vez após a outra? No dia em que fui internada, aonde você estava? Atrás de quem você correu? Tem a coragem de admitir?

A respiração de Norberto ficou ofegante.

— Você nunca me tratou com justiça, e agora também não tem o menor direito de exigir isso de mim.

— Você me força a assinar um acordo abusivo, me proíbe de cruzar os limites com outros homens. E quanto a você? Quantas vezes você já cruzou os limites?

— Tereza! — O rosto de Norberto distorceu-se numa expressão de raiva e palidez. — Eu e a Hera não temos o tipo de relação que você imagina. Não permitirei que suje a reputação dela dessa forma. Por favor, saiba quando parar.

— Então que tipo de relação vocês têm? — Tereza deu uma risada fria de escárnio.

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