Naquele momento, em contraste com a atitude de Tristan, Norberto parecia um inútil, incapaz de oferecer qualquer valor emocional à relação.
— Papai, não fica aí parado, vem comer! — Delfina correu até ele, agarrou-o pelo braço e o puxou em direção à mesa.
— O Sr. Guedes é mesmo muito habilidoso. Admito que não chego aos seus pés. — comentou Norberto com Tristan enquanto se aproximava.
— E não chega mesmo. — retrucou Tereza na hora, ao ouvir o tom sarcástico de Norberto.
— ... — Norberto ficou sem palavras.
A habilidade de Tereza para dar respostas afiadas vinha melhorando muito ultimamente. A Tereza doce, compreensiva e calada de antes havia desaparecido. Norberto sentia isso na pele; Tereza havia mudado, tornando-se uma estranha para ele, sempre pronta para debater e confrontar.
— Talvez seja porque, desde criança, eu sempre ajudei com as tarefas de casa, então acabei aprendendo um pouco mais. — Tristan deu um sorriso, não querendo ser o motivo de uma briga entre o casal.
Norberto apenas sorriu de forma contida.
Tereza convidava Tristan a se servir mais da comida, enquanto Dona Lígia também avaliava o Sr. Guedes discretamente. Se a patroa realmente se divorciasse do Sr. Norberto, será que ela se casaria com ele?
Dona Lígia torcia para que a patroa e o Sr. Norberto tivessem um desfecho pacífico. Se houvesse o divórcio, que cada um pudesse encontrar um novo parceiro que os fizesse felizes. A vida era curta demais para ser desperdiçada em atritos; os melhores anos precisavam ser vividos ao lado da melhor pessoa para que a vida não fosse em vão.
A refeição de Norberto estava com um gosto amargo. Ele sempre achara que o tempero de Dona Lígia era o seu favorito, adorava aquela comida desde criança. Mas hoje, por algum motivo, não conseguia sentir sabor nenhum.
Tristan, na verdade, também estava bastante tenso. As palavras de sua mãe continuavam gravadas em sua mente.
Antes que o casamento de Tereza e Norberto chegasse oficialmente ao fim, ele não deveria interferir de forma imprudente na vida deles nem trazer qualquer impacto negativo para Tereza. Mas hoje, por ironia do destino, ele achou que Norberto não apareceria, e logo ele tinha que dar as caras.
— Sr. Guedes, o senhor tem namorada? — perguntou Delfina de repente, em meio ao almoço.
— Não se intrometa nos assuntos dos adultos. Coma a sua comida direitinho. — Essa simples pergunta fez a tensão atingir o limite na sala; Tereza sussurrou imediatamente após dar uma colherada de sopa à filha.
— Não fui eu quem quis perguntar, foi a Noemi que queria saber. Ela vive dizendo que quer uma tia. — Delfina fez um biquinho e resmungou, com uma vozinha ofendida.
Os lábios de Norberto formaram uma linha fina, e ele lançou um olhar gélido para Tereza.
Será que Tereza queria se tornar a tia de Noemi?
— Delfina, o Sr. Guedes não tem namorada no momento. Ainda sou solteiro. — Tristan sorriu, um pouco sem graça.
— Faz sentido. A Noemi disse que quando você encontra uma moça bonita, manda ela te chamar de papai. Você faz isso pra espantar as moças? — A pequena Delfina soltou uma afirmação surpreendente.
Tereza quase estendeu a mão para tapar a boquinha da filha e fazê-la parar de falar.
— Como dizem, algumas pessoas são tão implacáveis que não poupam nem a si mesmas. — Norberto pegou o garfo, colocou um pedaço de carne no prato da filha e disse com um sorriso forçado: — Delfina, não aprenda a dizer essas bobagens, viu?
— Tá bom, eu entendi, papai. Mas eu não quero que você seja atingido por um raio. Quando tiver trovoada, você tem que se esconder bem. — Delfina piscou seus grandes olhos escuros, sem conseguir entender muito bem o que o pai queria dizer, mas assentiu seriamente.
— Delfina, o papai não vai ser atingido por um raio, fique tranquila. — respondeu Norberto incrédulo, sentindo uma pontada no coração com as palavras da filha.
Delfina assentiu com a cabeça.
Após terminar o almoço, Tristan não se demorou e, dando a desculpa de ter um compromisso, foi embora.
— A refeição não foi muito agradável hoje, sinto muito. Outro dia eu te convido de novo. — disse Tereza com um certo tom de desculpas, acompanhando-o até a porta do elevador.
— Claro, quando você tiver um tempo livre, combinamos. — Os olhos de Tristan brilharam levemente, e um sorriso despontou em seu belo rosto.
— Combinado! Vá com cuidado. — Tristan sentiu um calor aconchegante invadir seu peito ao ouvir o cuidado na voz dela.
Ao se virar, Tereza deparou-se com Norberto encostado no batente da porta. Ele muito provavelmente havia escutado a conversa dela com Tristan.
— Tereza, eu quero fazer umas alterações naquele acordo. — disse Norberto de repente, quando ela passou por ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......