— Norberto, não precisa tentar explicar tudo com tantos detalhes. No fundo, você simplesmente não tem coragem de admitir o verdadeiro motivo. — Terminando de falar, Tereza encarou a grande mão que a segurava.
Sob o olhar gélido de Tereza, Norberto sentiu as costas da mão arderem e soltou-a no mesmo instante.
— Mamãe, toma. — Foi então que Delfina subiu trazendo pãezinhos assados, estendendo um para Tereza.
Tereza esticou a mão e pegou.
— Papai, esse é para você. — Delfina ofereceu outro a Norberto.
Norberto também aceitou.
— A comida da Dona Lígia é a que mais agrada o paladar seu e da Delfina. Eu acabei de conversar com ela e perguntei se poderia ir com vocês para cuidar da rotina da casa. — Norberto disse após dar a primeira mordida no pão, lembrando-se de um assunto pendente.
— Oba! Oba! Eu adoro a comidinha da Dona Lígia, é muito gostosa! — Delfina começou a pular de alegria instantaneamente.
Tereza se surpreendeu, não esperava que Norberto cedesse Dona Lígia de tão bom grado.
Encontrar uma boa empregada era uma questão de afinidade, a maioria não durava muito no emprego porque não sobrevivia à fase de adaptação.
Tereza olhou para Delfina. A filha realmente adorava Dona Lígia, e ela era uma pessoa muito bondosa, além de ser cuidadosa com a menina.
— Não precisa, a Dona Lígia trabalha para a Família Cardoso há anos e está acostumada a cuidar de você. — Apesar da tentação inicial, Tereza recusou racionalmente.
— Tereza, pelo bem da Delfina, considere a oferta. A situação da Delfina é especial, você ficaria tranquila de deixá-la nas mãos de outra pessoa? A Dona Lígia conhece os gostos de vocês de trás para frente, é a escolha mais adequada. — Norberto continuou a insistir.
— Mamãe, deixa a Dona Lígia ir morar com a gente, eu gosto tanto dela. — pediu Delfina, balançando o braço da mãe de leve enquanto Tereza a encarava.
Tereza vacilou.
— Está decidido. Se você se sentir incomodada, pode dar à Dona Lígia um salário a mais — propôs Norberto com a voz rouca.
Por fim, ponderando a situação, Tereza acabou concordando com a transferência. Com o trabalho exigente, ela realmente precisava de alguém de extrema confiança para cuidar de Delfina em casa.
Quando Dona Lígia soube que iria trabalhar para cuidar de Tereza e da criança, ficou intimamente satisfeita.
Ela não fazia ideia de como as pessoas de fora viam a relação do Sr. Norberto com a esposa, mas no fundo ela sabia que a senhora era apaixonada por ele. Desde que entrou para a família, via o brilho nos olhos dela toda vez que olhava para o marido.
Dona Lígia já fora jovem e já se apaixonara na vida. Ela sabia que a senhora não casara com o Sr. Norberto apenas pelo dinheiro dele, como as fofocas diziam, ela vira no homem as verdadeiras motivações para a união.
A orientação de Norberto era que Dona Lígia fizesse a mudança já na manhã seguinte. Ele também lhe deu instruções em particular, pedindo que ela dedicasse todas as suas forças para zelar pela sua esposa e Delfina, além de lhe entregar um generoso bônus financeiro.
— Essa flor eu trouxe para você. Meus parabéns, você trouxe muito prestígio para a nossa faculdade.
Tereza já sabia que a faculdade tinha feito uma publicação destacada no sistema interno, publicando uma reportagem exclusiva sobre ela e gerando um reboliço daqueles.
Ela ficou encabulada. Na verdade, ela não gostava de chamar a atenção, e se sentia muito desconfortável ao ser alvo de tantos elogios. Mas, às vezes, a fama e o reconhecimento funcionavam exatamente assim: quando se era excelente no que fazia, isso vinha quase sem esforço.
— Gregório! — Enquanto ele conversava com Tereza, uma figura imponente de repente se levantou. Foi então que Gregório percebeu a presença de Norberto, sentado logo na primeira fila.
— Norberto, o que você faz aqui? — Gregório se espantou.
A pergunta deixou as feições finas de Norberto ligeiramente endurecidas.
— Quero dizer, como conseguiu tempo para vir? — Gregório deu uma risada forçada, notando que havia feito um questionamento inadequado.
— Fui convidado a comparecer. — Norberto deu um sorriso sutil.
— Ah, é mesmo? — O comentário de Gregório desbotou um pouco mais o sorriso no rosto de Norberto.
Tereza segurou o buquê trazido por Gregório, acomodando-o junto ao peito, ignorando a expressão forçada no rosto de Norberto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......