Aurora estava sozinha no cruzamento. Ela ia pedir um carro por aplicativo quando uma voz fria e arrogante veio de trás.
— Aurora.-
Ela olhou para trás e viu a mãe de Felipe, Helena Campos. O motorista e a assistente estavam atrás dela.
No jantar, por causa de Felipe, Helena até a chamou educadamente de Aurora.
Agora, ela não fazia questão nem de manter aquela falsa educação.
— Acho que você viu na mesa de jantar agora há pouco. Felipe e Yasmin se dão muito bem.
Aurora não respondeu.
Helena foi direto ao ponto: — O casamento exige que as famílias sejam do mesmo nível. A minha família Campos é uma das mais ricas de Porto Belo. Felipe é ainda melhor. A empresa que ele fundou está prestes a entrar na bolsa e no futuro ele vai herdar o Grupo Campos.
— E você. Ouvi dizer que seus pais são empregados comuns. Você pilota em uma companhia aérea, é um trabalho decente, mas a sua família é muito comum.
— A Yasmin é diferente. Ela é filha da família Jardim. Eles podem dar ao Felipe qualquer recurso e contato que ele quiser.
Cada palavra lembrava Aurora de algo.
Ela não era boa o bastante para Felipe.
— Sra. Campos, acho que a senhora esqueceu. Quando o Felipe teve dificuldades para abrir a empresa, a família Campos não quis ajudar. Fui eu quem pegou as minhas economias de duzentos mil para ajudá-lo a superar aquele momento difícil.
Aurora falou sem se rebaixar.
O rosto de Helena fechou. — A família Campos não ajudou porque era um teste para o Felipe. Você não tem vergonha de falar desses míseros duzentos mil depois de todos esses anos.
A dedicação que ela tivera no passado não valia nada na visão de Helena.
— Faremos o seguinte. Considerando que você ficou com o Felipe por sete anos e trabalhou duro, se você sair por conta própria e não voltar mais, eu posso te dar uma compensação.
Aurora levantou o olhar.
Pelo visto, Helena não tinha visto o que aconteceu no Maybach, nem a ouvira terminar com Felipe.


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