Na cabine do avião, Aurora usava fones de ouvido e fazia os preparativos antes do pouso do avião.
Depois de confirmar que o avião havia estabelecido o pouso por instrumentos, ela apertou o botão de chamada e reportou com calma: — Torre de Porto Belo, Voo APB 3176. Pouso por instrumentos na pista 27 estabelecido. Solicito aprovação para pouso.
Depois de um curto chiado, a voz clara e firme do homem soou no fone de ouvido.
— Voo APB 3176, Torre de Porto Belo. Vento de solo a 260 graus, velocidade do vento a 3 metros por segundo, pista 27. Pouso autorizado.
Aurora ficou surpresa.
Que coincidência, era Dante de novo.
Aurora reconheceu a voz dele e, com os olhos fixos para a frente, repetiu o padrão: — Recebido. Voo APB 3176.
— Voo APB 3176. Após o pouso, saia da pista pela C3.
Aurora: — Sair pela C3. Voo APB 3176.
A chamada terminou.
Aurora segurou o manche e de repente se lembrou de Giovanna perguntando se Dante era bonito ou não.
Ela havia dito que a voz dele era boa.
Agora que o ouvira de novo pelo rádio, ela continuava com a mesma opinião.
Era uma voz grossa, calma, com um poder que fazia as pessoas confiarem instintivamente.
Mas esse pensamento durou apenas alguns segundos.
Ela logo reuniu a atenção e focou na aproximação e no pouso.
Quando o avião pousou, já eram nove da noite.
Depois de entregar o manual de voo, Aurora voltou ao vestiário. Ao ligar o celular, viu mais de dez chamadas perdidas.
Todas eram da sua mãe, Dona Heloísa.
Havia também algumas mensagens não lidas.
[O que aconteceu entre você e o Felipe?]
[O Felipe me ligou e disse que você estava terminando o namoro e até fugiu de casa.]
[Me ligue assim que sair do avião!!!]
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