Ao ver que era Aurora, Dante pareceu um pouco surpreso e falou no celular: — Tenho algo urgente aqui. Depois a gente se fala.
Ele desligou o telefone sem demora.
Aurora teve que tomar coragem para ir lá cumprimentá-lo.
— Controlador Queiroz.
Dante fez um sinal com a cabeça: — Comandante Vargas.
— Eu... não estava escutando as coisas de propósito agora há pouco.
Ela apontou para o corredor atrás dela: — Eu passo por aqui quando saio do trabalho. Foi coincidência.
Dante não ficou nem um pouco bravo por ela ter ouvido uma questão pessoal e o seu belo rosto continuou calmo: — Tudo bem, não era nenhum segredo.
Ouvir a voz dele cara a cara era um pouco diferente do que ouvir no rádio.
Parecia ainda mais magnética e agradável.
Aurora assentiu: — Então eu já vou.
— Tá.
Ela se virou. Deu dois passos e lembrou-se do telefone da Dona Heloísa.
Dante também estava sendo cobrado para casar pela família.
Mas ele estava sendo cobrado para encontros às cegas.
Ela estava sendo cobrada a se reconciliar com Felipe e se casar com ele o mais rápido possível.
Se ambos casassem para lidar com a família e sem amor, os dois resolveriam o problema atual...
Aurora parou.
Dante ainda estava no mesmo lugar.
Ela apertou o puxador da mala e se virou. Falou sem pensar:
— Controlador Queiroz, você está sendo muito cobrado pela sua família para se casar, e eu... eu estou numa situação parecida.
— Como?
Aurora apertou os lábios, tomou coragem e perguntou: — Já que nenhum de nós tem uma pessoa boa para casar, você não pensaria num casamento de conveniência?
As palavras foram ditas.
O corredor ficou em silêncio.
Dante parou.

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