Beba. Beba o máximo que conseguir.
Se morresse de tanto beber, melhor ainda. Assim ela não precisaria se dar ao trabalho de pedir o divórcio. Seria simplesmente a viúva e herdaria a enorme fortuna de César.
E mesmo que não morresse, não importava. Pelo menos os espermatozoides morreriam. Bastava sentar e esperar pelo dia em que César ficasse estéril para valer!
Vendo que ele estava a ponto de abraçá-la, Vânia ergueu o documento no momento certo e deu um tapa no rosto dele com a pasta, afastando-o de maneira dissimulada.
Em seguida, ela se virou e sentou-se na cadeira de frente para a mesa de modo extremamente natural, dando uma ordem dengosa:
— Assine logo isso. Tenho uma viagem de negócios à tarde, é urgente.
Claro que a viagem de negócios era uma mentira.
Não havia a menor possibilidade de continuar sendo a besta de carga do Grupo Saraiva.
César não se importou por ter o rosto batido pela pasta, embora a força de Vânia tivesse sido considerável e quase achatado seu nariz empinado.
Ele achou que Vânia estava apenas agindo com hipocrisia e que, no fundo, não queria que ele saísse para beber, descontando a frustração nele.
Dando uma risada suave, ele pegou os documentos, sentou-se em sua cadeira executiva e disse:
— Vou ser um bom garoto e escutar minha esposa. Vou beber pouco e voltar cedo para casa. Não fique com raiva, senhora esposa.
Dizendo isso, ele abriu a pasta e começou a analisar os relatórios linha por linha, palavra por palavra.
O tempo passava lentamente. Ao virar mais uma página, ele chegaria à carta de demissão dela.
Fingindo ansiedade, Vânia olhou para o relógio de pulso e reclamou de forma mimada:
— Dá um tempo, César. Você não confia nem em mim? Fui eu quem preparou os documentos. Quando foi que você viu um erro no meu trabalho? Eu revisei umas dez vezes. Assina logo, estou ficando atrasada.
César ergueu os olhos e sorriu para ela com uma expressão de imensa ternura:
— Eu sei, minha esposa é incrível. Já estou acabando, não vou atrasar a sua viagem.
Apesar do que dizia, os dedos de César continuaram a folhear o relatório. Foi naquele momento que Vânia percebeu tristemente: ele nunca confiara nela de verdade.
Amava Laura Lima!!
A verdade chegara de maneira abrupta, cruel e implacável.
Vânia parecia ter sido atingida por um raio. Ficou rígida na cadeira, o rosto mal conseguindo manter a mesma expressão.
Cravando as unhas nas palmas das mãos, e sentindo o coração doer a cada respiração, ela perguntou:
— Por que não atende?
— Que ela espere. Ela não é mais importante que a minha senhora esposa.
Enquanto falava, os longos dedos de César puxaram a caneta. Ele folheou até o fim, no local da assinatura, e assinou seu nome rapidamente.
Para César, mentir para ela era tão fácil quanto respirar. Palavras românticas saíam da sua boca sem o menor esforço.
Ao ver quem estava ligando, ele claramente perdera todo o interesse no documento. A única coisa que desejava era terminar de assinar o mais rápido possível para que ela fosse embora e ele pudesse conversar com seu grande amor do passado.

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