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Sete Anos de Engano romance Capítulo 10

Desta vez, foi Vânia quem a encarou, ostentando um sorriso radiante:

— Por mais que você seja uma amiga de infância que cresceu com o meu marido, eu sou a esposa legal dele. Temos uma certidão de casamento e somos protegidos por lei. Sugiro que você comece a se preparar psicologicamente e se acostume logo com isso. Se você se atrever a demonstrar essa falta de limites novamente, não me importarei em bater em você também, para te ensinar um pouco sobre decência e noção.

César ficou atônito com o golpe. A força de Vânia tinha sido imensa e ela não havia se contido.

Seus ouvidos zumbiam como se houvesse milhares de mosquitos próximos e ele podia sentir o gosto metálico de sangue no canto dos lábios.

Na sua mente, Vânia sempre tinha sido gentil e pacífica. Mesmo quando precisou lidar com os ataques venenosos de sua família, ela nunca perdera as estribeiras.

Muito menos levantara a mão para alguém!

Passado o choque inicial, tudo o que restou em César foi ira.

Ele levantou a mão para enxugar a gota de sangue nos lábios. Seu olhar fixo em Vânia estava frio e sombrio. Ele disparou em uma voz glacial:

— Vânia! Eu desfiz toda a minha agenda de trabalho e comprei flores só para vir buscar você. Eu queria te fazer uma surpresa. E é assim que você confia em mim?

Ele não estava ali para buscá-la; ele tinha ido claramente para buscar a Laura.

Apenas não contava que ela alteraria a data da passagem e chegaria mais cedo.

E aquelas flores...

Vânia baixou os olhos para olhar o buquê nas mãos de César.

De fato, eram tulipas.

Vânia riu, com o olhar carregado de sarcasmo, e perguntou num sussurro:

— E você escolheu especialmente para mim?

— E para quem mais seria? — César rebateu de dentes cerrados, parecendo profundamente ofendido.

— Ah, sim...

Enquanto ela estava na Cidade de Alvorada, o detetive particular já havia levantado todo o passado entre César e Laura.

Se não tivesse lido o relatório da investigação, ela provavelmente continuaria achando que aquelas flores tinham sido escolhidas apenas para ela.

Desde que se conheceram, a cada encontro ou data especial, César sempre comprava tulipas para ela.

Como era um lugar público, rodeado por milhares de pessoas e o ambiente era desfavorável, César não podia explodir, apesar dos dois tapas que havia levado.

Além disso, ele precisava acalmar Vânia e convencê-la a cooperar pacificamente pelos próximos três meses, para que o casamento fosse oficializado sem problemas. Dessa forma, ele conseguiria as ações do seu avô e o controle absoluto sobre as decisões da família.

Assim, suspirou pesadamente e suavizou a voz. Entre uma falsa resignação e um tom amoroso de mimo, ele sussurrou:

— Tudo bem, Vânia. Seja boazinha, chega de ciúmes. Eu não me importo que você tenha me batido, mas você entendeu errado a Laura. Você deveria pedir desculpas a ela.

— Não se importa? — Vânia riu, como se tivesse escutado a melhor piada do mundo, mas o sorriso parou nos cantos de seus lábios, tão gélido quanto o inverno.

— César, você pode não se importar, mas eu me importo.

— O quê?

César achou que apenas afagá-la seria suficiente para acalmá-la, pois Vânia sempre tinha sido razoável e entendera bem os cenários maiores.

Não imaginou que ela atacaria de maneira tão agressiva, como um porco-espinho arrepiado.

— César, um homem com esposa e filho não deveria manter certa distância das outras mulheres? Pare de falar besteiras sobre vocês terem crescido juntos e de você a ver como uma irmãzinha; guarde essas baboseiras para os espíritos.

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