— Se não comer logo, vai esfriar.
Como a comida fora apenas reaquecida, perderia o calor rapidamente.
Henrique Ramos lançou um olhar discreto para o celular dela e continuou a comer em silêncio.
— Obrigada.
A voz de Sabrina Batista soou baixa e suave.
Lembrar-se das palavras de Kiara a deixou completamente desconfortável.
No entanto, Henrique Ramos permanecia impávido, saboreando seu almoço sem a menor pressa, como se tudo aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Foi apenas quando Sabrina Batista terminou a refeição e repousou os talheres que Henrique Ramos resolveu falar.
— Algum problema no trabalho?
Sabrina Batista balançou a cabeça. — Não. É só que marcaram uma reunião de última hora para amanhã à tarde, então não vou conseguir voltar no horário normal.
Henrique Ramos ponderou por um momento e assentiu. — Pode deixar a Lelê comigo. Cuide dos seus afazeres.
Dito isso, levantou-se e empurrou o carrinho de Lelê em direção à sala de estar.
Julia havia saído para comprar mantimentos, e como Kiara ficou sozinha para recolher a mesa, Sabrina Batista ofereceu-lhe ajuda.
Assim que terminaram, ela se dirigiu à sala. Henrique Ramos cochilava recostado na poltrona, e ao seu lado, no carrinho, Lelê continuava em um sono profundo.
— Você não prefere deitar no quarto para descansar?
Sabrina Batista começou a organizar seus documentos. — Pode deixar que eu tomo conta da Lelê aqui.
Henrique Ramos entreabriu levemente os olhos rasgados. — Não precisa.
E, sem dizer mais nada, voltou a fechá-los.
Sua intenção original era levar Lelê para o andar de cima enquanto trabalhava, mas ao perceber que a mão de Henrique Ramos repousava na lateral do carrinho...
... e notando a nítida exaustão em seu rosto, indicando que ele estava prestes a adormecer de verdade...
... ela achou melhor acomodar-se no tapete. Colocou o celular e o notebook no modo silencioso e retomou o trabalho ali mesmo.
O sol, que antes inundava toda a sala, gradualmente se esvaiu, deixando apenas um único feixe de luz sobre Sabrina Batista.
Num piscar de olhos, mais de duas horas haviam se passado.
Henrique Ramos ergueu o braço para apoiar a cabeça. — Pensei que diria que havia algo no meu rosto.
Sabrina Batista: ...
— Wesley Couto prometeu ao Felipe Carneiro ajudá-lo a abrir o mercado no Sul para a Pipefy. É por isso que o Felipe Carneiro está tão irredutível quanto a essa parceria.
A voz de Henrique Ramos soou áspera. — Esse acordo já é prego batido e ponta virada.
Sabrina Batista voltou a encará-lo. — A Família Couto tem mesmo poder suficiente para abrir todo o mercado do Sul para a Pipefy?
— A Família Couto é extremamente tradicional. Eles vêm de uma longa linhagem, e, embora seu império venha perdendo força, a rede de contatos que possuem é vasta.
Henrique Ramos sentou-se, afundando a mão no assento do sofá para se apoiar.
— O que o Felipe Carneiro quer de verdade é a influência e os contatos da Família Couto.
Sendo assim, a resistência de Ricardo Carneiro seria em vão. Não havia a menor necessidade de realizarem a reunião no dia seguinte.
Sabrina Batista ia pegar o celular para avisar Ricardo Carneiro, quando seus olhos esbarraram num brilho sutil na dobra do sofá, afundado pelo peso da mão de Henrique Ramos. Havia algo preso a um cordão vermelho.
Ela puxou o cordão, e uma delicada medalhinha de ouro infantil revelou-se diante de seus olhos.

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