Sabrina Batista nunca tinha contado a Kiara qual era a verdadeira situação entre ela e Henrique Ramos.
Era uma longa história, complexa demais para ser resumida em poucas palavras.
Kiara devia acreditar piamente que ela e Henrique Ramos viviam como um casal de verdade.
— Você tem razão... vou tentar mudar isso.
Ela sorriu com carinho para Kiara.
— Eu só comentei por comentar. Não me leve a mal se falei alguma besteira. Continue o seu trabalho, eu vou regar as plantas.
Vendo a pilha de documentos à frente dela, Kiara não quis mais atrapalhar e virou-se para sair.
Sabrina Batista voltou a mergulhar no trabalho. Cerca de meia hora depois, Henrique Ramos surgiu do jardim de inverno, com Lelê nos braços.
Seus antebraços fortes sustentavam o corpinho do bebê com firmeza.
Lelê estava agarrado ao braço dele como um coala, dormindo profundamente.
— Deixe-o comigo.
Sabrina Batista deixou os papéis de lado e levantou-se para recebê-los.
Henrique Ramos esquivou-se das mãos estendidas dela. — Vou colocá-lo no carrinho. Vamos almoçar primeiro.
Ele deitou Lelê no carrinho com o máximo de cuidado. O pequeno espreguiçou-se, foi ajeitado de lado por Henrique Ramos e continuou a dormir.
Sabrina Batista empurrou o carrinho até a sala de jantar e sentou-se de frente para Henrique Ramos.
— Não precisava ter me esperado. Você poderia ter comido antes.
Depois de reaquecida, a comida já não tinha a mesma aparência nem o frescor de quando foi feita.
Principalmente os vegetais; Henrique Ramos lembrava-se bem do quanto Sabrina Batista era exigente em relação a isso.
— Não faz mal. A comida da Julia e da Kiara é tão boa que não perde o sabor, mesmo requentada.
A verdade é que Sabrina Batista estava morrendo de fome, com o estômago roncando.
Havia saído às pressas pela manhã, comendo apenas metade de um sanduíche.
Ela passou a manhã inteira correndo sem parar. Internamente, a Pipefy ainda apresentava diversos detalhes fragmentados que ela precisava resolver um por um.
Henrique Ramos pegou um pedaço de costela de boi e colocou no prato dela.
— Coma bastante.
— Se realmente não houver como impedir, o jeito será fechar a parceria. Por mais que eu deteste lidar com a Família Couto, ainda é melhor do que sofrer com conflitos internos.
Sabrina Batista havia refletido muito nos últimos dias.
A curto prazo, seu futuro profissional seria na Cidade S, e enquanto estivesse trabalhando, seria impossível não cruzar caminhos com a Família Couto.
Já que não tinha como fugir, o melhor era encarar a situação de cabeça erguida.
— Não. Eu tenho que impedir que esse contrato seja assinado.
A teimosia de Ricardo Carneiro falava mais alto. — Fique tranquila, não precisa se meter nisso.
Mas não era uma questão de Sabrina Batista se meter ou não.
— Vou desligar agora. Em suma, amanhã à tarde você não poderá ir embora no horário de sempre. Que seja a primeira e última vez.
Fez essa promessa por conta própria e, sem mais delongas, encerrou a chamada.
Sabrina Batista bloqueou a tela do celular e retornou à sala de jantar.
Para sua surpresa, o prato dela estava cheio de comida.
Camarões descascados, dois belos pedaços de carne de porco assada com molho espesso no estilo da Capital, além de brócolis e ovos mexidos com tomate.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!