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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 653

Sabrina Batista nunca tinha contado a Kiara qual era a verdadeira situação entre ela e Henrique Ramos.

Era uma longa história, complexa demais para ser resumida em poucas palavras.

Kiara devia acreditar piamente que ela e Henrique Ramos viviam como um casal de verdade.

— Você tem razão... vou tentar mudar isso.

Ela sorriu com carinho para Kiara.

— Eu só comentei por comentar. Não me leve a mal se falei alguma besteira. Continue o seu trabalho, eu vou regar as plantas.

Vendo a pilha de documentos à frente dela, Kiara não quis mais atrapalhar e virou-se para sair.

Sabrina Batista voltou a mergulhar no trabalho. Cerca de meia hora depois, Henrique Ramos surgiu do jardim de inverno, com Lelê nos braços.

Seus antebraços fortes sustentavam o corpinho do bebê com firmeza.

Lelê estava agarrado ao braço dele como um coala, dormindo profundamente.

— Deixe-o comigo.

Sabrina Batista deixou os papéis de lado e levantou-se para recebê-los.

Henrique Ramos esquivou-se das mãos estendidas dela. — Vou colocá-lo no carrinho. Vamos almoçar primeiro.

Ele deitou Lelê no carrinho com o máximo de cuidado. O pequeno espreguiçou-se, foi ajeitado de lado por Henrique Ramos e continuou a dormir.

Sabrina Batista empurrou o carrinho até a sala de jantar e sentou-se de frente para Henrique Ramos.

— Não precisava ter me esperado. Você poderia ter comido antes.

Depois de reaquecida, a comida já não tinha a mesma aparência nem o frescor de quando foi feita.

Principalmente os vegetais; Henrique Ramos lembrava-se bem do quanto Sabrina Batista era exigente em relação a isso.

— Não faz mal. A comida da Julia e da Kiara é tão boa que não perde o sabor, mesmo requentada.

A verdade é que Sabrina Batista estava morrendo de fome, com o estômago roncando.

Havia saído às pressas pela manhã, comendo apenas metade de um sanduíche.

Ela passou a manhã inteira correndo sem parar. Internamente, a Pipefy ainda apresentava diversos detalhes fragmentados que ela precisava resolver um por um.

Henrique Ramos pegou um pedaço de costela de boi e colocou no prato dela.

— Coma bastante.

— Se realmente não houver como impedir, o jeito será fechar a parceria. Por mais que eu deteste lidar com a Família Couto, ainda é melhor do que sofrer com conflitos internos.

Sabrina Batista havia refletido muito nos últimos dias.

A curto prazo, seu futuro profissional seria na Cidade S, e enquanto estivesse trabalhando, seria impossível não cruzar caminhos com a Família Couto.

Já que não tinha como fugir, o melhor era encarar a situação de cabeça erguida.

— Não. Eu tenho que impedir que esse contrato seja assinado.

A teimosia de Ricardo Carneiro falava mais alto. — Fique tranquila, não precisa se meter nisso.

Mas não era uma questão de Sabrina Batista se meter ou não.

— Vou desligar agora. Em suma, amanhã à tarde você não poderá ir embora no horário de sempre. Que seja a primeira e última vez.

Fez essa promessa por conta própria e, sem mais delongas, encerrou a chamada.

Sabrina Batista bloqueou a tela do celular e retornou à sala de jantar.

Para sua surpresa, o prato dela estava cheio de comida.

Camarões descascados, dois belos pedaços de carne de porco assada com molho espesso no estilo da Capital, além de brócolis e ovos mexidos com tomate.

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