— O que é isso?
O olhar de Sabrina Batista era de pura suspeita; parecia um daqueles pingentes de ouro de proteção que se dá para crianças pequenas.
Estava novinho em folha, inclusive a etiqueta ainda prendia-se ao cordão.
— O que foi?
Henrique Ramos tomou a medalhinha das mãos dela e analisou-a com aparente concentração.
— Fui eu que comprei. — Mentiu com muita naturalidade.
— Você comprou? E como foi parar enfiado no vão do sofá? — perguntou Sabrina Batista.
Henrique Ramos pendurou o objeto na alça do carrinho de Lelê. — Fui tentar colocar na Lelê há alguns dias e deixei cair. Estava procurando desde então.
Quer dizer que ele havia comprado aquilo para a Lelê?
— Isso é caro demais. — Sabrina Batista tirou a joia do carrinho e estendeu-a para Henrique Ramos. — a Lelê não pode aceitar.
Henrique Ramos encostou-se no sofá, fitando-a com desdém. — Eu estou dando para a Lelê.
— Eu sou a mãe dele, eu posso decidir isso por ele. — retrucou Sabrina Batista.
— Se vamos por esse caminho, perante a lei, eu sou o pai dele. Também posso tomar decisões em nome dele.
Henrique Ramos estendeu os dedos, fisgou o cordão da mão dela, puxou o carrinho para perto e enlaçou o amuleto de ouro diretamente em Lelê.
Sabrina Batista observou-o prender a peça. Queria intervir, mas teve medo de que, numa disputa ali, acabassem machucando a criança.
Deixa para lá. Mais tarde ela mesma tiraria aquilo e devolveria para Henrique Ramos.
Satisfeito ao perceber que ela não tentou devolver a joia novamente, Henrique Ramos ordenou: — A fralda precisa ser trocada. Vá buscar algumas lá em cima.
Pega de surpresa por aquele tom autoritário, Sabrina Batista ficou atônita por alguns segundos antes de reagir.
Ela subiu as escadas, pegou duas fraldas limpas, desceu e trocou Lelê.
Aproveitando o momento da troca, ela retirou discretamente a medalhinha e a deixou sobre a mesa de centro.
Naquele instante, Henrique Ramos, que estava diante da ilha da cozinha moendo café, flagrou o pequeno gesto. Seu olhar escureceu, mas ele optou por manter o silêncio.
Perto do anoitecer, Sabrina Batista atendeu a uma chamada de vídeo de Oceana Reis.
— Entendido.
Sabrina Batista desligou a chamada, abaixou o celular e comentou com Henrique Ramos: — Se eu me mudasse daqui, não precisaria ficar te incomodando.
Henrique Ramos arregaçou as mangas e caminhou em sua direção. — A sua maior preocupação é se mudar, ou achar que está me incomodando?
— As duas coisas. — Sabrina Batista observou-o assumir o controle do carrinho de Lelê. — O que está fazendo?
— Dê o resto do dia de folga para a Julia e a Kiara. Vá preparar algumas frutas, que eu tomo conta da Lelê. — determinou Henrique Ramos.
— Está bem. — concordou Sabrina Batista.
Kiara e Julia ainda fizeram questão de deixar pratos com frutas e alguns petiscos prontos antes de irem embora.
Mal as funcionárias saíram, Oceana Reis e Fernando Moraes chegaram.
Carlitos não era de estranhar ambientes novos; mesmo sendo sua primeira vez na casa, já corria solto pelo pátio, explorando tudo.
Fernando Moraes corria atrás de Carlitos para não perdê-lo de vista, enquanto Henrique Ramos, confortavelmente sentado na cadeira de vime com Lelê no colo, observava Fernando Moraes ser arrastado de um lado para o outro feito um lacaio.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!