Henrique Ramos havia escutado as discussões entre Daniela Vieira e Mariana Ramos e se lembrava da menção aos presentes.
— Deixe no meu quarto por enquanto.
Julia assentiu e levou o presente para o quarto no terceiro andar.
Depois que a sala ficou impecável, ela foi para a cozinha ajudar Kiara com o preparo do almoço.
— Julia, será que as coisas entre a Sabrina e o Senhor Ramos não estão indo muito bem?
Kiara se aproximou, sussurrando sua fofoca. — No dia a dia a gente não nota muito, mas quando acontece alguma coisa, dá para perceber que a Sabrina trata o Senhor Ramos com muita formalidade.
Julia lançou um olhar em direção ao jardim de inverno. — Não me vá dizer uma coisa dessas na frente do patrão.
— Por quê? — Kiara abaixou ainda mais a voz. — O que está acontecendo de verdade?
— Os assuntos deles não são da nossa conta. E lembre-se, de jeito nenhum deixe escapar para a senhora que a senhora e a senhorita vieram ver a menina hoje, ouviu bem?
A própria Julia não entendia ao certo qual era a situação atual entre Henrique Ramos e Sabrina Batista.
Haviam reatado o casamento e moravam sob o mesmo teto, mas dormiam em quartos separados.
— Mas a Sabrina também, o Senhor Ramos é um partido tão excelente, como ela pode...
Antes que Kiara pudesse terminar a frase, o ronco de um motor ecoou no pátio.
Era Sabrina Batista que acabava de chegar.
Julia deu um leve toque no braço de Kiara, sinalizando para que se calasse. — Traga logo a comida para a mesa, vamos servir o almoço.
— Certo. — Kiara encerrou a fofoca e voltou rapidamente ao trabalho.
Ao sair do carro, Sabrina Batista logo avistou Henrique Ramos com Lelê nos braços, no jardim de inverno.
Ela entrou diretamente pela porta lateral do ambiente envidraçado.
O sol do meio-dia banhava o espaço, trazendo uma preguiça reconfortante. As feições de Henrique Ramos eram marcantes e perfeitamente esculpidas, impecáveis em cada detalhe.
Sua mão grande repousava sobre o corpinho frágil de Lelê, e ele mantinha os olhos semicerrados, parecendo ter adormecido.
Sabrina Batista aproximou-se dos dois; tanto o adulto quanto o bebê permaneciam de olhos fechados, sem qualquer menção de despertar.
— a Lelê ainda não come comida de verdade, como assim comermos juntos? — Kiara riu. — Você quer dizer que está esperando o Senhor Ramos, não é?
O movimento de Sabrina Batista folheando os documentos parou de imediato, e ela ergueu o olhar para Kiara.
— A gente vê você sempre tão fria com o Senhor Ramos no dia a dia, mas no fundo você se importa com ele, até faz questão de esperar para almoçarem juntos. Se é assim, por que fica sempre com essa cara tão fechada para ele?
Kiara já não aguentava mais guardar aquilo para si.
O que ela chamava de cara fechada não significava que Sabrina Batista estivesse sempre mal-humorada.
Tratava-se, na verdade, do distanciamento e da polidez excessiva com que ela tratava Henrique Ramos.
— E isso não é o mínimo de educação? — Sabrina Batista rebateu, resignada. — Afinal, estamos morando na casa dele.
Onde já se viu começar a refeição sem esperar o dono da casa?
Kiara respondeu de imediato: — Esta é a casa de vocês! O Senhor Ramos nunca tratou este lugar como se fosse apenas dele. Em todas as refeições, ele nos pede para preparar os pratos de acordo com o seu gosto.
O que acontecia era que Julia, sentindo apreço pelo patrão, sempre dava um jeito de incluir um prato que fosse do agrado de Henrique Ramos no cardápio.

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