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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 642

— Assim está bom?

Henrique Ramos assentiu.

Sabrina Batista já se dirigia para a saída com as roupas nas mãos quando ouviu a voz dele:

— Ainda falta uma peça.

Ela parou e olhou para as roupas em suas mãos.

O clima na Cidade S estava quente. Calça social, camisa e paletó já eram mais do que suficientes; o paletó até sobrava. O que poderia estar faltando?

Ela lançou-lhe um olhar confuso.

Henrique Ramos estava encostado no batente da porta do closet, com os braços cruzados, observando-a. Seus olhos escuros como nanquim pareciam capazes de engolir uma pessoa.

Sabrina Batista usava uma maquiagem leve e elegante naquele dia. Estava mais charmosa do que o habitual, quando passava os dias em casa cuidando de Lelê.

Ele apertou levemente os lábios finos.

— Você está pensando em usar roupas térmicas?

Henrique Ramos ficou sem palavras.

Sabrina Batista notou a expressão estranha em seu rosto e se calou.

Mesmo no auge do inverno na Capital, Henrique Ramos costumava usar apenas calças comuns. A vida que ele levava, dividida entre a casa e o escritório, não exigia roupas tão pesadas.

Isso, é claro, a não ser que ele tivesse algum compromisso ao ar livre com clientes.

Então, ele não estava indo para a empresa, e sim sairia para algum lugar?

Mas com o clima da Cidade S, não havia necessidade de usar roupas térmicas nem para sair!

Vendo as conjecturas no rosto dela e sua total confusão, Henrique Ramos a lembrou: — Cu-e-ca.

O rosto de Sabrina Batista ficou vermelho de uma hora para outra.

— Eu não sei onde ficam.

Henrique Ramos bateu os dedos na gaveta ao seu lado.

— Segunda gaveta.

Sabrina Batista já tinha preparado as peças íntimas de Henrique Ramos inúmeras vezes.

Durante os dois anos de casamento, era ela quem preparava suas roupas, mas mesmo naquela época, ainda se sentia constrangida.

Muito mais agora...

— Você não pode pegar sozinho?

Henrique Ramos permaneceu imóvel, sem responder, lançando-lhe um olhar apático.

Era como se a lembrasse de que suas roupas haviam sido molhadas por Lelê.

Sabrina Batista se virou, abriu a segunda gaveta, pegou uma cueca qualquer e, ao sair, jogou a peça sobre a cama dele. Em seguida, deu meia-volta e saiu do quarto.

— Que compromisso será esse tão importante a ponto de ele pular a refeição? Se ele estragar a saúde, a velha senhora vai morrer de desgosto.

— Talvez ele tenha marcado de almoçar com alguém — comentou Sabrina Batista, já com um palpite em mente.

Vanessa Fernandes.

— Mas a manhã inteira o senhor não atendeu nenhuma ligação, só ficou trabalhando — ponderou Julia, achando a ideia improvável.

Sabrina Batista não quis mais especular. Após almoçar, levou Lelê para o andar de cima para tirar uma soneca.

Naquele mesmo momento, no aeroporto da Cidade S.

O Maybach de Henrique Ramos parou no estacionamento e ele caminhou direto para o portão de desembarque.

— Irmão!

Mariana Ramos arrastava sua mala, acenando efusivamente para ele.

— Por que demorou tanto? Eu já estaria em casa se tivesse pegado um táxi!

Ela empurrou a mala em direção a ele.

— Anda logo, me leva para casa para eu ver a minha sobrinha!

Henrique Ramos não pegou a mala e segurou firmemente o braço da irmã, que já tentava sair correndo.

— Quem te contou?

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