— A nossa mãe, ué.
Mariana Ramos se soltou do aperto dele.
— Por que você está me segurando? A filha da Sabrina Batista é sua, por que não disse antes?! E por que a mãe me mandou esconder isso da vovó?
Eram tantas perguntas em sequência que ficava difícil responder.
Henrique Ramos franziu bastante a testa. Após alguns segundos de silêncio, declarou:
— Você não pode ver a Lelê agora.
— E por que não?! — indignou-se Mariana Ramos, explodindo no mesmo instante. — Eu sou a tia dela!
— Nem a tia pode — retrucou ele, de forma seca e categórica.
Mariana Ramos pegou o celular, pronta para ligar para Sabrina Batista.
— Vou ligar para a minha cunhada. Duvido que ela me proíba de vê-lo!
Antes que a chamada fosse completada, Henrique Ramos tomou o aparelho das mãos dela.
— Entre no carro primeiro. Eu explico tudo no caminho.
Seu rosto exibia uma frieza cortante. Mariana Ramos, mesmo a contragosto, não teve alternativa a não ser obedecer.
O Maybach deixou o estacionamento lentamente e logo acelerou pela rodovia contornando as montanhas.
Dentro do carro, as exclamações de Mariana Ramos soavam cada vez mais altas.
— Você está me dizendo que a Sabrina Batista ainda não sabe que você a reconheceu como pai da Lelê?!
— Está dizendo que a nossa mãe tem que ver a criança escondida?!
— Está dizendo que vocês voltaram, mas ela ainda trabalha na Pipefy?!
— Irmão, como você consegue ser tão inútil?
— O que você sabe sobre isso? — rebateu Henrique Ramos.
Mariana Ramos torceu os lábios.
— Posso não saber de nada, mas não suportaria ter minha própria filha na minha frente e não poder reconhecê-la publicamente. E a nossa mãe, como ela aguenta essa humilhação?
— Se ela aguenta ou não, você vai ter que aguentar. Eu tenho os meus planos.
Muitas noites, a mera lembrança de Sabrina Batista negando repetidamente que Lelê fosse seu filho quase levava Henrique Ramos à loucura.
Felizmente, agora que moravam juntos, ele podia ver Lelê todos os dias.
— Quem foi que disse que ia ficar com o sobrinho?
— Tudo culpa do meu irmão! — resmungou Mariana Ramos. — Ele impediu que eu conhecesse o meu sobrinho! E você também não me avisou antes sobre a situação dele com a Sabrina Batista.
— E você me deu chance de falar? — irritou-se Daniela Vieira. Ao ouvir que o filho de Sabrina Batista era de Henrique Ramos, Mariana simplesmente desligou na cara dela e comprou a passagem.
Ainda bem que Daniela Vieira avisara com antecedência que esse assunto precisava ser mantido em segredo dos avós da Família Ramos, não importava o que acontecesse.
Caso contrário, a essa altura, toda a Família Ramos já estaria sabendo.
Mariana Ramos se jogou no sofá e não discutiu mais.
Henrique Ramos a deixou lá e foi embora sem sequer passar da porta.
— Eu comprei uma pulseirinha de ouro para a Lelê, olha.
Mariana Ramos tirou o presente impacientemente e mostrou para Daniela Vieira.
Daniela Vieira estava tomando chá de flores. Ao ouvir isso, pousou a xícara e se aproximou.
— Presente?
— Claro! É a primeira vez que a tia vai ver a sobrinha, eu precisava trazer um presente! — afirmou Mariana Ramos com naturalidade, antes de encarar a mãe. — Você, sendo a avó, não me diga que não preparou nada?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!