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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 641

Através da janela, as vozes de Julia e Kiara podiam ser ouvidas.

— A senhora Sabrina gosta de comer essas conservas. Feitas em casa, elas não ficam tão salgadas e não atrapalham na amamentação.

— Se não tiverem sal suficiente, estragam com facilidade — comentou Kiara.

— É só fazer em pequenas quantidades. Quando acabar, fazemos mais. De qualquer forma, temos muito tempo — disse Julia, sorrindo.

Henrique Ramos havia assumido a responsabilidade pelo bebê. A manhã inteira passou sem que ele ou Kiara precisassem intervir.

Pensando nisso, Julia lançou um olhar para a sala de estar. Henrique Ramos estava sentado lá, enquanta Lelê dormia e acordava no carrinho. Quando a menina chorava, era alimentada com a fórmula infantil. Henrique Ramos fazia questão de cuidar de tudo pessoalmente.

Kiara também olhou na direção da sala. Sentia uma profunda admiração ao ver um homem com o status elevado de Henrique Ramos cuidando do filho com as próprias mãos. Era algo raro de se ver!

— Ah, Sabrina voltou.

Ao ouvir o som da porta se abrindo, Kiara limpou as mãos no avental e seguiu caminho até o hall de entrada.

— Kiara.

Sabrina Batista trocava os sapatos.

— Lelê foi bonzinho?

Kiara sorriu de orelha a orelha.

— Foi um anjo. A manhã inteira, o Sr. Henrique...

Antes que pudesse terminar a frase, um baque surdo ecoou da sala de estar.

Henrique Ramos jogou um jornal sobre a mesa de centro, levantou-se e saiu com uma expressão sombria.

As veias saltavam na mão que segurava firmemente o celular.

— O que aconteceu? — perguntou Sabrina Batista, abaixando a voz. — Será que a Lelê fez bagunça e o irritou?

Julia balançou a cabeça apressadamente.

— Não! Ela esteve tão quietinha!

Além disso, Henrique Ramos havia tomado conta de Lelê a manhã toda.

Sem saber onde as coisas tinham dado errado, Kiara olhou para Julia.

Julia saiu da sala, igualmente confusa.

— O senhor deve ter tido algum contratempo no trabalho. A senhora deveria ir ver o pequeno mestre. Daqui a pouco, é só lavar as mãos para comermos.

Sabrina Batista observou as costas de Henrique Ramos desaparecerem no corredor antes de desviar o olhar. Ela arregaçou as mangas, foi ao banheiro lavar as mãos e, só então, caminhou até Lelê.

Pouco tempo depois, Julia serviu o almoço completo e fumegante na mesa.

— Jovem senhora, eu cuido do pequeno mestre. A senhora quer subir e chamar o senhor?

Mas, a cada novo encontro, ainda achava difícil desviar o olhar.

— O almoço... O almoço está pronto.

O calor úmido que emanava do corpo de Henrique Ramos a envolveu por completo.

— Ajude-me a pegar umas roupas.

— Ah? — exclamou Sabrina Batista.

Henrique Ramos apontou para o closet no canto direito do quarto.

— Minhas roupas foram encharcadas pelo xixi da Lelê.

— Ah, certo.

Ao ouvir que o culpado fora Lelê, Sabrina Batista caminhou prontamente em direção ao closet.

Os passos de Henrique Ramos a seguiam, num ritmo cadenciado, mas que exercia uma pressão opressiva e invisível.

O closet do homem era dominado pelas cores preto e branco, com raras peças coloridas penduradas em um canto.

— Vou sair em seguida. Pegue um terno.

Sabrina Batista escolheu uma camisa branca de alta-costura, um terno preto de caimento impecável e combinou tudo com uma gravata vinho.

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