— Que diabos ele está fazendo aqui?
Ricardo Carneiro também viu claramente a pessoa sentada na sala de reuniões e não conseguiu evitar o xingamento.
Separados apenas por um vidro, as pessoas dentro da sala de reuniões ouviram a voz e se viraram para olhar.
— Senhor Carneiro.
— O Senhor Couto já está à sua espera há algum tempo. Por favor, entre. — O assistente de Wesley Couto saiu da sala de reuniões, cumprimentando Ricardo Carneiro de forma respeitosa.
— Eu me perguntava quem seria capaz de fazer o meu pai dividir um pedaço de carne, então é ele.
— Que tal você voltar para o escritório? Eu cuido da negociação com a Família Couto. — Ricardo Carneiro estava com uma péssima expressão. Ele lançou um olhar irritado para o assistente de Wesley Couto e virou-se para Sabrina Batista.
— Não precisa, eu dou conta.
Sabrina Batista podia evitar a situação por um momento, mas não para sempre.
A parceria entre Felipe Carneiro e a Família Couto era uma certeza absoluta.
Como responsável por essa região na Cidade S, era inevitável que ela tivesse que lidar com a Família Couto.
— Vamos entrar primeiro, quero ver qual é a situação.
Ricardo Carneiro desviou do assistente de Wesley Couto e entrou na sala de reuniões.
Sabrina Batista entrou logo atrás dele, caminhando até parar em frente ao assento de Wesley Couto.
— Senhor Carneiro. — Wesley Couto era mais velho e tinha um certo status na Cidade S. Ele nem sequer se levantou, mantendo uma expressão de leve arrogância.
— Eu não sou digno desse título de Sr. Carneiro; o senhor é o velho experto da Cidade S. — Ricardo Carneiro o encarou de soslaio, puxou a cadeira e sentou-se.
— Senhor Couto. — Sabrina Batista o cumprimentou com leveza, puxando a cadeira e sentando-se.
Não havia muita expressão em seu rosto; ela parecia muito mais calma e serena do que Wesley Couto esperava.
— O Senhor Carneiro é de fato jovem e impetuoso. Não importa, temos um objetivo em comum, que é o lucro. Vamos falar de negócios. — Wesley Couto permaneceu em silêncio por um instante, olhando apenas para Ricardo Carneiro.
— Eu não entendo de trabalho, pergunte à Senhorita Batista.
Ricardo Carneiro apoiou Sabrina Batista, mostrando-se extremamente insatisfeito com o fato de Wesley Couto ignorar a presença dela.
— O 'você' na frase 'Então, fale você', que o Senhor Couto acabou de dizer, referia-se a mim? — Sabrina Batista voltou a olhar para Wesley Couto.
Wesley Couto não conseguiu disfarçar o constrangimento em seu rosto.
— Embora a Família Couto tenha muita influência na Cidade S, os negócios da Pipefy estão espalhados por toda parte e são inúmeras vezes maiores que os da Família Couto. Poder colaborar com a Pipefy é um privilégio para vocês. Mesmo que eu seja apenas a responsável por uma filial, você ainda deveria me chamar de Senhorita Batista.
Sabrina Batista observava o homem que, no passado, havia chorado diante dela exigindo reconhecer os laços familiares.
Naquele momento, não havia nem o menor sinal de consideração familiar no rosto de Wesley Couto.
O que havia era apenas hostilidade, crueldade e um desprezo evidente de quem a subestimava.
Se hoje não estivessem no território da Pipefy, Sabrina Batista nem se daria ao trabalho de discutir com ele.
Mas agora ela representava a Pipefy, e não podia envergonhar a empresa.
— Parece que a vontade do Senhor Couto de colaborar com a Pipefy não é tão grande assim.
— A reunião de hoje termina aqui. Vou pedir que acompanhem o Senhor Couto até a saída e depois te mostro o ambiente da empresa. — Ricardo Carneiro levantou-se, ajeitou o terno e disse a Sabrina Batista.

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