No abraço de Henrique Ramos, o cheiro de álcool era ainda mais intenso.
Contudo, sua fala era clara e seu olhar era sombrio e lúcido; ele não parecia nem um pouco embriagado.
Sabrina Batista empurrou levemente o peito dele. Assim que os corpos se afastaram um milímetro, ele apertou o abraço com ainda mais força.
— Prometa para mim. — A voz de Henrique Ramos soou bem perto do seu ouvido.
— Henrique Ramos, a minha vida não é da sua conta.
A voz exausta de Sabrina Batista carregava uma leve pontada de ironia.
Ele tinha acabado de voltar de um encontro com Vanessa Fernandes e agora vinha exigir que ela se afastasse de Ricardo Carneiro.
Mesmo sendo um contrato, eles eram marido e mulher.
Ele podia ver outras mulheres à vontade, mas ela precisava ficar longe de outros homens?
Ela já tinha visto pessoas hipócritas, mas essa duplicidade de critérios era um absurdo.
— Se não tem a ver comigo, tem a ver com quem? — O aperto de Henrique Ramos afrouxou um pouco.
Sabrina Batista aproveitou a brecha e se soltou: — A minha vida só diz respeito ao Lelê.
Lelê era a pessoa mais próxima dela em todo o mundo.
Tudo o que ela fazia era pensando no bebê.
A turbulência nos olhos de Henrique Ramos foi se acalmando aos poucos.
Ele apertou os lábios, sua expressão teimosa: — Fique tranquila, eu cuidarei bem do Lelê.
Sabrina Batista o olhou confusa: — ???
Ela franziu as sobrancelhas e foi embora, virando as costas.
A conversa não tinha nada a ver com isso, como de repente mudou para ele cuidando do Lelê?
Henrique Ramos apenas sentiu seus braços vazios enquanto ela desaparecia.
Ele endireitou a postura e inclinou levemente a cabeça, observando as costas de Sabrina Batista se distanciando.
Dizer que ela fugiu em pânico não seria exato, mas definitivamente saiu com pressa de escapar.
Julia saiu da cozinha com um sorriso, sinalizando para Kiara não dizer mais nada.
— É normal que as mães se preocupem; se afastar por um segundo já dá medo de algo acontecer. Nós entendemos. Fique tranquila, ligaremos na mesma hora se houver algum problema.
Já eram sete e meia. Sabrina Batista precisava sair para o trabalho; ela assentiu, pegou a bolsa e se levantou.
— Conto com vocês. Já vou indo.
Kiara seguiu a linha de Julia: — Isso, nós cuidaremos muito bem do Lelê. Qualquer coisinha, te ligamos na hora, vá em paz...
Ela acompanhou Sabrina Batista até a porta.
Lelê ainda dormia, e Sabrina Batista teve que se segurar muito para não subir e dar mais uma olhadinha nele. Deu a partida no carro e seguiu direto para a empresa.
No quarto, Henrique Ramos estava de pé junto à janela, com o olhar gélido fixo no carro dela que deixava o Edifício Majestic.
Um pouco depois, Lelê acordou.
Henrique Ramos trocou o bebê e desceu para tomar o café da manhã.
— A senhora nunca ficou longe do pequeno mestre antes, ela estava tão apreensiva. Mandou avisar que, caso o senhor não estivesse e acontecesse algo, deveríamos ligar na mesma hora.

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