— Já que tem uma opinião tão elevada do Ricardo Carneiro, levante-se sozinho.
Bêbado, a boca fala o que o coração sente.
Não faz o menor sentido.
Fernando Moraes já nem sabia mais o que havia falado, só sentia dor.
Henrique Ramos tirou o celular do bolso dele, e Fernando nem tentou pegar de volta; em poucos minutos, apagou ali mesmo no chão.
Henrique Ramos usou o celular do amigo para enviar algumas mensagens, depois chamou os garçons para carregarem Fernando Moraes até um quarto de hotel para descansar. Em seguida, voltou para casa.
Enquanto o Maybach desaparecia na calada da noite, Vanessa Fernandes surgiu das sombras.
Ela planejava encontrar outra oportunidade para conversar com Henrique Ramos.
No entanto, Fernando Moraes tinha ficado completamente bêbado, e Henrique Ramos fora embora direto, não lhe deixando brecha alguma.
Mas o que foi que Fernando Moraes havia dito agora há pouco?
Sabrina Batista ia voltar ao trabalho? Na Pipefy?
Vanessa Fernandes ficou encarando a traseira do Maybach por um longo tempo antes de pegar o celular e ligar para Susana Mendes.
— Susana, preciso te contar uma coisa. A Sabrina Batista começou a trabalhar na Pipefy...
——
Edifício Majestic. O interior estava completamente às escuras.
Guiada pela luz do luar, Sabrina Batista desceu as escadas e foi até a sala de jantar para beber um pouco de água.
Porém, não conseguiu achar o copo que costumava usar, sendo obrigada a pegar um novo no armário.
Depois que Julia começou a trabalhar ali, os armários da sala de jantar haviam sido todos reorganizados.
Ela vasculhou alguns armários inferiores e não encontrou nada, então teve que ficar na ponta dos pés para procurar nos armários de cima.
Finalmente, avistou um copo no fundo de um armário superior e esticou o braço para pegá-lo.
O movimento fez com que a camisola subisse, revelando suas panturrilhas finas e retilíneas.
Sem equilíbrio, ela pressionou o ventre contra a borda do móvel.
Bem quando estava prestes a alcançar o copo, uma mão grande e de nós bem definidos se adiantou e o pegou num piscar de olhos.
Assustada, seus calcanhares tocaram o chão de supetão, e ela se virou instintivamente.
Ao fazer esse pequeno movimento, colidiu direto com o peito do homem.
Sabrina Batista ficou encurralada entre ele e o armário.
Henrique Ramos colocou o copo à sua direita e apoiou as duas mãos na borda da bancada, inclinando-se para encará-la.
— No meio da madrugada e você nem acende a luz.
— De qualquer forma, você deve descansar. Tenho que trabalhar amanhã.
Depois que ela falou, Henrique Ramos ficou em silêncio, encarando-a com seus olhos profundos e fixos, sem sequer piscar.
— Me deixe passar.
Sabrina Batista foi obrigada a insistir.
— É realmente necessário voltar a trabalhar agora? — perguntou Henrique Ramos.
— É claro.
Sabrina Batista respondeu sem hesitar.
Henrique Ramos franziu a testa, com os lábios finos tensos: — Você tem coragem de deixar o Lelê?
Aquelas poucas palavras destruíram a convicção de Sabrina Batista.
Mesmo tendo se preparado mentalmente e se convencido inúmeras vezes de que só voltando ao trabalho poderia proporcionar um futuro melhor para o seu filho.
No fundo, seu coração ainda doía com a separação.
— Isso é problema meu. Pare de falar e saia da frente.
Ao captar um mínimo vestígio de sofrimento no rosto dela, Henrique Ramos soltou a bancada, mas a puxou abruptamente para um abraço apertado.
— Tudo bem, volte a trabalhar, mas você tem que manter distância do Ricardo Carneiro.

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