— A senhora Ramos vai ficar para o almoço, não é? O que gostaria de comer? Posso preparar mais dois pratos!
Kiara encontrou uma oportunidade e perguntou diretamente.
— Não — respondeu Daniela Vieira, fechando a cara e balançando a cabeça.
— Já que a senhora está aqui, e já é quase meio-dia, preparar dois pratos é rapidinho...
Kiara insistiu calorosamente.
— Kiara, venha comigo e dê uma olhada nesta sopa — disse Julia, puxando-a para a cozinha antes que ela pudesse terminar de falar.
— A sopa já não está pronta? — perguntou Kiara, entrando na cozinha sem entender nada.
— Não conte à jovem senhora que a dona Ramos veio ver o bebê. As coisas entre ela e o jovem mestre estão meio complicadas. Enfim, ela não sabe dessa visita, senão vai dar briga.
— O jovem mestre vai te pagar um salário extra de agora em diante, então vê se não abre o bico — instruiu Julia em voz baixa.
— Ah? — Kiara entrou em pânico. Lembrando-se da mensagem que acabara de enviar, pegou o celular imediatamente para apagá-la.
Por sorte, não haviam se passado nem três minutos, então deu tempo de cancelar o envio.
Só que ela não sabia se Sabrina Batista já tinha lido.
— Você ouviu o que eu disse? — alertou Julia, ainda preocupada.
Kiara voltou a si e assentiu. — Ouvi sim, não vou falar nada, eu prometo!
Julia voltou para a sala.
Pouco tempo depois, as pequenas bolinhas vermelhas no corpo de Lelê começaram a clarear e sumir, e só então Daniela Vieira parou de insistir em levá-lo ao hospital.
Às onze da manhã, Henrique Ramos desceu as escadas.
— A senhora já precisa ir.
Aquelas poucas palavras fizeram o bom humor de Daniela Vieira desaparecer na mesma hora.
Enquanto falava, tirou o celular, vendo apenas a notificação de uma mensagem apagada.
— Não foi nada, é que o Lelê ficou com umas bolinhas no corpo agora há pouco. É melhor não colocar tanta roupa nele daqui para frente, meninos costumam sentir mais calor.
Só então Kiara soltou um longo suspiro de alívio.
Sabrina Batista calçou os chinelos e foi rapidamente para a sala ver Lelê. O peito dele estava com algumas pequenas bolinhas vermelhas, que já haviam perdido a cor, deixando apenas algumas marquinhas.
— Lembro que ele teve isso há alguns dias, mas sumiu depois de um banho. O clima na Cidade S é bem quente, de agora em diante vou colocar só uma regatinha nele.
Ela comentou com Kiara.
Kiara assentiu, concordando ao lado dela: — Isso mesmo. Aqui na Cidade S, mesmo quando esfria, basta vestir um macacãozinho dentro de casa. Criança se mexe muito, não vai sentir frio.
— Está bem — concordou Sabrina Batista, pegando Lelê no colo e sentando-se no tapete.
Ao erguer os olhos, viu um anel sobre a mesa de centro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!