Ela reconheceu aquele anel; era de Daniela Vieira.
No primeiro ano de seu casamento com Henrique Ramos, Daniela Vieira e Antonio Ramos completaram vinte e cinco anos de casados, e aquele anel foi o presente de aniversário de casamento que Antonio Ramos comprou para Daniela Vieira.
Vendo que ela de repente ficou imóvel, encarando um ponto fixo, Kiara seguiu seu olhar, estremeceu e logo fez um sinal discreto para Julia.
Julia saiu da cozinha, hesitou por um segundo e pegou o anel.
— Jovem senhora, este anel é meu. A senhora Ramos me deu de presente.
Dizendo isso, colocou o anel no dedo, e o tamanho serviu perfeitamente.
— É mesmo? — Sabrina Batista não acreditou muito, afinal, aquele anel tinha um grande valor sentimental.
— A pedra de jade deste anel que o senhor comprou não era muito pura — explicou Julia com um sorriso —, então ele comprou um novo para a senhora Ramos. Ela acabou me dando este. Eu também achei que não deveria aceitar um presente de aniversário de casamento, mas a senhora não tolera nada que tenha falhas, então eu acabei guardando.
Daniela Vieira, de fato, não tolerava imperfeições.
— Então guarde bem, não vá perder — disse Sabrina Batista, sem dar muita importância ao assunto.
— Embora tenha falhas, para mim é um tesouro. No dia a dia, cozinhando e cuidando do Lelê, não dá para usar de jeito nenhum. Só tirei agora pouco para mostrar à Kiara — disse Julia.
Em seguida, tirou o anel do dedo e voltou para o quarto para guardá-lo.
— Sabrina, por que você não sobe e troca de roupa? O almoço já está pronto, vamos comer daqui a pouco.
Kiara se aproximou, pronta para pegar Lelê no colo.
Sabrina Batista entregou-lhe o bebê, levantou-se e foi em direção às escadas. — Tudo bem.
O terceiro andar estava em total silêncio. Ela parou no topo da escada e olhou de relance para o quarto de Henrique Ramos.
A porta do quarto de Henrique Ramos estava fechada.
Ela virou-se, voltou para o próprio quarto, tirou as roupas e começou a vestir a camisola de chiffon rosa-claro que estava no sofá aos pés da cama.
Logo após se despir, antes mesmo de conseguir vestir a camisola, ouviu de repente um ruído muito sutil às suas costas.
Sabrina Batista virou-se e deu de cara com Henrique Ramos parado na porta do closet.
O olhar de Henrique Ramos era profundo, seu pomo de Adão moveu-se sensualmente, e seus olhos examinaram o corpo de Sabrina Batista com uma intensidade predatória.
A porta do closet estava escancarada; ele deve ter notado assim que ela entrou.
E então, assistiu de camarote a ela tirando a roupa.
E viu perfeitamente a cena... quando ela estava nua.
As orelhas de Sabrina Batista ficaram vermelhas.
— Se me viu trocando de roupa, por que não falou nada?
— Você foi rápida demais, não deu tempo de falar nada — respondeu Henrique Ramos.
— Mesmo assim, não devia ficar olhando! — retrucou Sabrina Batista, envergonhada e irritada.
— Qual é o problema? Não só já vi cada parte do seu corpo, como também já toquei em tudo.
Ele se aproximou como se não fosse nada demais, olhando-a de cima para baixo. — E já beijei também.
O rosto de Sabrina Batista ardeu de imediato.

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