— Você tem noção do absurdo que está falando?
O rosto de Daniela Vieira estampava um enorme ponto de interrogação.
Sabrina Batista havia chegado, por que ela deveria se esconder?
Ela estava ali de forma totalmente legítima para ver o próprio neto!
— Quer ou não quer ver o menino da próxima vez? — Henrique Ramos não se alongou, apenas apontou para o banheiro. — Quando ela subir, você vai embora imediatamente.
Desde os primórdios, via-se amantes com medo de esbarrar nas esposas.
Mas uma avó ter que se esconder da mulher do próprio filho para ver o neto, isso sim era novidade!
Ainda mais considerando que Sabrina nem sequer tinha sido aceita de verdade pela família!
Daniela Vieira sentiu um nó de raiva na garganta e esbugalhou os olhos.
— Pois eu não saio daqui...
Lá fora, Sabrina Batista fechou a porta do carro e disse a Luiz Moreira:
— Obrigada, dirija com cuidado na volta.
— Não foi nada. Me ligue assim que tiver novidades sobre os assuntos da Família Couto.
Sabrina Batista assentiu, acompanhou com o olhar Luiz Moreira se afastar com o carro e virou-se em direção à mansão.
Através das portas de vidro temperado, viu vagamente duas silhuetas passarem rapidamente pela sala.
Seus passos hesitaram, mas logo retomou o ritmo. Chegou à entrada e, mal tocou a maçaneta, a porta foi repentinamente aberta pelo lado de dentro antes que pudesse empurrá-la.
Henrique Ramos segurava Lelê com um braço e abria a porta com o outro.
A habitual camisa preta tinha sido trocada por uma camiseta de algodão, mais confortável para ficar em casa.
Sua mão, de traços bem definidos, apoiava o corpinho de Lelê com uma postura notavelmente habilidosa.
Era uma imagem que destoava completamente da figura implacável que dominava o mundo dos negócios.
— Chegou.
Henrique Ramos abriu a porta, sustentou o olhar dela por alguns segundos e virou-se para dentro da casa.
Sabrina Batista tirou os sapatos, tirou as presilhas do cabelo, deixando-as no hall de entrada, e prendeu o cabelo num coque usando um elástico preto simples.
Ela observou as costas de Henrique Ramos enquanto ele embalava Lelê, fez alguns segundos de silêncio, respirou fundo e disse:
— Vou lavar as mãos e, depois, me passe o Lelê.
Dito isso, virou-se em direção ao banheiro.
— Você está chateada.
Henrique Ramos a acompanhou com o olhar até a porta do banheiro e adiantou-se em perguntar:
— O que você está fazendo?
— Fazer você relaxar e esquecer esse mau humor. — respondeu Henrique.
Sabrina Batista, após o resguardo, já havia recuperado o peso anterior à gravidez.
Mas em seus braços havia um bebezinho de seis quilos, e mesmo carregando os dois, os passos de Henrique Ramos continuavam rápidos e firmes, sem o menor esforço.
Mas Sabrina Batista estava apavorada. Se, por acaso, caíssem, com ela não seria tão grave, mas Lelê era tão pequeno!
— Me coloque no chão, eu só preciso de um momento sozinha para me acalmar. Não preciso que você me ajude a relaxar!
Além disso, como exatamente ele pretendia relaxá-la?
Ao sentir o leve perfume amadeirado vindo dele, Sabrina sentiu a cabeça ficar ainda mais confusa.
— Sozinha, você pode até tentar esfriar a cabeça. Mas comigo... eu conheço jeitos bem melhores de fazer você relaxar.
Henrique Ramos carregou-a direto para o terceiro andar, entrou no quarto dele e trancou a porta.
Ao pé da escada, no primeiro andar, Daniela Vieira, tendo escutado a conversa, correu para fora do banheiro.
— Mas que falta de vergonha! Ficar nesse amasso na frente da própria mãe? Onde já se viu uma coisa dessas? Se você deixar a criança cair, eu acabo com você!
Ela fez menção de subir as escadas.
Mas, ao lembrar-se do aviso rígido de Henrique Ramos, acabou cedendo, virou as costas e foi embora.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!