Quando Daniela Vieira retornou, pegou aquele pequeno e macio pacotinho nos braços, sentindo o coração transbordar de adoração.
Era preciso admitir: Sabrina tinha dado à luz um menino.
Lá na Capital, todos da mesma idade que Henrique Ramos já estavam casados e com filhos.
Sempre que Daniela Vieira se reunia com as madames da alta roda, ela já não aguentava mais ouvir aquelas mulheres falando dos netos e netas.
Por isso, sua pressa em casar Henrique Ramos com Vanessa Fernandes envolvia, em parte, o desejo de ter um neto nos braços.
Apesar de ter se decepcionado com Vanessa Fernandes depois, o casamento já estava praticamente marcado. Trocar de noiva àquela altura apenas atrasaria as coisas, e não havia garantia de que a próxima seria melhor.
Mas agora, tudo estava perfeito. Sabrina Batista era filha dos Couto e ainda tinha dado um filho a Henrique Ramos...
— O filho é da Sabrina Batista. — Henrique Ramos leu os pensamentos dela num instante. — Eu não tenho a palavra final. E até que ela resolva a situação com a Família Couto, não vamos tocar no assunto sobre nós.
Daniela Vieira fechou a cara.
— Isso é inaceitável. A nossa Família Ramos vai ter que ficar esperando por ela? Quanta arrogância!
Henrique Ramos lançou um olhar para o bebezinho nos braços dela.
— Se não quiser esperar, solte a criança.
— Você... — Daniela Vieira virou-se de costas, temendo que ele lhe tomasse o bebê. — Que inútil, se deixando levar pelo nariz por uma mulher! Ela se deitou com você de propósito para engravidar, não foi?
Henrique Ramos ponderou por um momento e respondeu:
— Eu só fui descobrir agora que a criança era minha.
Daniela Vieira piscou, confusa, e olhou para o bebê.
— Ela estava com medo de que descobríssemos sobre o bebê e a obrigássemos a abortar?
Na época, ela também suspeitara que a criança fosse de Henrique Ramos, mas Sabrina Batista negou até a morte!
— Ela apenas queria que a criança fosse inteiramente dela.
O olhar de Henrique Ramos tornou-se sombrio.
Daniela Vieira sentou-se ao lado dele e, depois de um longo silêncio, disparou:
— Eu achava que era ela quem não te largava. Quer dizer que era você quem ficava correndo atrás dela?
As sobrancelhas de Henrique Ramos se uniram. Ele corria atrás dela?
Desde a demissão de Sabrina Batista até ela mudar de emprego...
Não era perseguição; ele só não queria perder uma funcionária tão capaz. Nada além disso.
— Esse é o primeiro neto dos Ramos. Se essa criança não for reconhecida pela família, você que vá para o diabo!
— De fato.
Antigamente, movido pelo preconceito contra Ricardo Carneiro, ele achava Lelê um bebê feio.
Agora, quanto mais olhava, mais encantador o achava.
Era filho dele.
— Espero que, no futuro, ele seja mais promissor do que você.
Daniela Vieira falou com segundas intenções.
Henrique Ramos não discutiu. Em silêncio, seu olhar pousou sobre Lelê.
Era apenas um serzinho que ainda nem falava, mas que conquistava profundamente o coração de qualquer um.
Daniela Vieira não o soltava de jeito nenhum; brincava com ele, ninava-o, paparicos atrás de paparicos...
Não se sabe quanto tempo se passou, até que o som de uma buzina ecoou do lado de fora da mansão.
Através da janela, Henrique Ramos viu imediatamente Sabrina Batista descer do carro.
Ele se levantou num salto e tirou a criança dos braços de Daniela Vieira.
— A Sabrina Batista chegou, vá se esconder.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!