No andar de cima, no quarto de Henrique Ramos.
Lelê havia adormecido nos braços de Sabrina Batista.
Sabrina Batista foi pousada delicadamente sobre a cama por Henrique Ramos e, temendo acordar o pequeno, virou-se suavemente de lado, deitando Lelê também.
Em seguida, sentou-se na beirada da cama.
— Eu entreguei o presente ao Senhor Couto.
— O que ele lhe disse? — perguntou Henrique Ramos, sentado no sofá aos pés da cama.
— Mandou agradecer a você. — respondeu Sabrina Batista.
— E sobre você, o que ele disse? — insistiu Henrique Ramos.
Sabrina Batista balançou a cabeça, recusando-se a repetir as palavras de Marcel Couto.
— Não encontrou a Oceana Reis? — Henrique Ramos tornou a perguntar.
— Eu a vi, sim, mas não tivemos chance de conversar a sós.
Uma onda de frustração invadiu seu peito, deixando o rosto de Sabrina Batista abatido.
Henrique Ramos cruzou as pernas e repousou os longos braços no encosto do sofá.
— O Casal Couto pretendia levar a Oceana Reis para o exterior, afastando-a dos conflitos da Família Couto, mas a Oceana Reis se recusou. Adivinhe por que ela não quer ir embora.
— Eu sei, o fato de ela não querer ir tem a ver comigo. — Quanto mais pensava naquilo, mais culpada Sabrina Batista se sentia em relação a Oceana Reis.
Henrique Ramos abaixou os braços, deixando-os repousar sobre as pernas, com as mãos entrelaçadas.
— Há outra razão. O Marcel Couto possui ações da Família Couto, e a menos que ele esteja disposto a abrir mão de todas elas, o Wesley Couto nunca o deixará partir. Contudo, se abdicar dessas ações, o Marcel Couto perderá a renda dos dividendos da empresa e não conseguirá se sustentar. Em outras palavras... na disputa entre os dois irmãos da Família Couto, apenas um poderá prevalecer no fim das contas.
O rosto de Sabrina Batista empalideceu.
— O fato de você ser filha do Wesley Couto se tornará de conhecimento público depois de hoje. A batalha que está por vir será árdua, e os assuntos entre você e a Oceana Reis só poderão ser resolvidos quando tudo isso acabar. Até lá, ficar se lamentando só vai desgastar você ainda mais.
Talvez, em meio ao confronto entre Marcel Couto e Wesley Couto, as posições de Sabrina Batista e Oceana Reis sofressem novas transformações.
O laço entre as duas iria se moldar e adaptar ao longo daquela reviravolta de circunstâncias.
— O mais urgente agora é lidar com o Wesley Couto. A diretora do orfanato de vocês é uma peça-chave nisso, e ela está sob o controle do Ricardo Carneiro.
Henrique Ramos acompanhou a silhueta dela se afastar, com o olhar carregado de profundidade.
O telefone em seu bolso vibrou; ele levantou-se e foi até a varanda para atender.
— Conseguiu falar com a Oceana Reis?
Do outro lado da linha, a voz de Fernando Moraes ecoou:
— Sim, eu a vi. Mas ela estava ocupadíssima. A Senhora Couto não saía do lado dela nem por um segundo, e eu não consegui uma única brecha para falar a sós com ela.
Henrique Ramos respondeu com indiferença:
— Se ela o convidou para ir até lá, com certeza não foi só para fazer figuração. Apenas aguarde.
— Henrique Ramos, você realmente não erra uma. — Fernando Moraes soltou uma risada. — Ela me mandou uma mensagem dizendo que quer conversar comigo assim que o banquete terminar.
— Então me avise quando terminarem de conversar. E, se não houver nada importante, evite ficar ligando.
Henrique Ramos, incomodado, fez menção de desligar.
— Antigamente você não me deixava te ligar à toa porque tinha medo de que isso atrapalhasse o seu trabalho. E agora? Está com medo de que eu acorde a criança? Henrique Ramos, você é o presidente de uma empresa, não um dono de casa para ficar bancando a babá do filho e mimando a própria esposa.

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