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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 26

POV Lianna

O sol tinha aquele brilho suave que só aparece quando a vida resolve ser gentil por alguns minutos. Eu não lembrava a última vez que acordei com os gêmeos pulando na cama, rindo, sem o peso do medo, das manchetes, dos bisturis ou do sobrenome Cross pairando sobre nós.

E, sinceramente? Eu precisava disso. Precisava respirar. Precisava ser só mãe.

***

O parque estava cheio. Crianças correndo atrás de bolhas de sabão, cães latindo felizes, casais brigando baixinho, famílias fazendo piquenique… normalidade. O tipo de normal que dói de tão raro.

Selin agarrou minha mão com força.

— Mãe, posso correr até o lago?

— Pode. Mas sem tentar nadar. — avisei, com aquele olhar de mãe que acha que é ameaçador, mas só é fofo.

Ele deu uma risada debochada, claramente herdada de mim, e saiu disparado.

Selena veio logo atrás, segurando a mão de Amanda, que, obviamente, tinha virado a melhor pessoa do mundo em três segundos de convivência.

Amanda se abaixou para ficar na altura dela.

— Pronta para arrasar no lago, pequena?

— Pronta! — Selena declarou, estufando o peito.

Eu sorri. O peito apertou, mas num jeito bom. Um jeito de vida voltando, mesmo que a passos tímidos.

— Li. — Amanda chamou, jogando o cabelo pra trás como se estivesse num comercial de shampoo. — Você tá… viva. Olha só. Até cor voltou pro seu rosto.

— Eu estava sem cor?

— Estava com cara de faxineira pós-turno no apocalipse. — ela disse, seríssima.

Eu gargalhei. Gargalhei alto. De verdade. Como não fazia há semanas.

— Amanda… eu sinto sua falta, sabia?

Ela jogou o braço por cima dos meus ombros.

— Claro que sente. Sou maravilhosa.

Eu revirei os olhos, mas encostei a cabeça nela por um segundo, porque, naquele dia, tudo que eu queria era isso: alguém pra segurar meu cansaço sem pedir nada em troca.

O piquenique foi caótico, como sempre.

Selin derrubou suco na toalha. Selena quase deixou o sorvete cair no meu sapato. Amanda xingou uma gaivota que tentou roubar a nossa comida.

E eu… senti paz.

Uma paz tímida, que se escondia entre os risos deles, entre as piadinhas idiotas de Amanda, entre o vento leve passando pelo meu rosto. Paz do tipo que me fazia querer chorar de gratidão e desespero ao mesmo tempo.

Em algum momento, Selin deitou no meu colo. Selena no de Amanda. Ficamos ali, em silêncio, cada uma com uma criança adormecida como um pequeno sol doméstico no peito.

Amanda me olhou por cima da cabeça de Selena.

— Você precisava disso mais do que o mundo precisava de oxigênio, Li.

Eu não respondi. Só sorri. Porque era verdade.

Porque eu sentia meu corpo inteiro relaxando pela primeira vez em anos. Porque naquele instante… eu parecia quase humana de novo.

**

O sol começou a descer no horizonte. O parque se esvaziava devagar. Eu guardei as coisas na bolsa, ajeitei a touca na cabeça de Selin, peguei o casaco de Selena.

— Vamos, meus amores. Já está ficando frio.

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