ARES BECKETT
Ver Rubi gritar e se contorcer daquele jeito foi a pior cena da minha vida. Eu sou um homem acostumado a ter o mundo inteiro nas mãos, que resolve problemas com um estalar de dedos ou uma simples assinatura, mas ali, naquele quarto de hospital, eu era um completo inútil. Eu não podia fazer absolutamente nada para parar o sofrimento da minha esposa. A sensação de impotência era esmagadora.
A equipe médica agiu rápido e a sedou. O corpo de Rubi amoleceu na cama, e a dor pareceu sumir junto com a consciência dela. Imediatamente, eles a transferiram para uma maca e a levaram para fora do quarto, avisando que precisavam fazer exames de imagem urgentes.
Fiquei para trás, encarando a cama vazia com o coração batendo tão pesado que doía na garganta. A espera foi torturante. Os minutos pareciam horas. Andei de um lado para o outro no quarto, esfregando o rosto com as mãos, tentando manter o controle sobre a minha própria mente que insistia em imaginar os piores cenários.
Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, o médico finalmente voltou. Ele segurava um tablet com as imagens dos exames e tinha uma expressão séria.
— Senhor Beckett — ele começou. — Nós fizemos uma tomografia e descobrimos a causa da dor intensa. Foi encontrado um pequeno coágulo no cérebro da sua esposa, formado pelo impacto da batida.
Senti o chão sumir sob os meus pés. Apertei as mãos em punhos até as unhas cravarem na pele.
— O que vai acontecer agora? — perguntei, forçando a minha voz a sair o mais firme possível.
— Nós vamos evitar uma abordagem invasiva num primeiro momento — o médico explicou com calma. — A equipe decidiu mantê-la sedada para que o cérebro possa descansar. Vamos administrar uma medicação intravenosa forte para fazer esse coágulo desmanchar e ser absorvido pelo corpo naturalmente.
— E se essa medicação não funcionar?
O médico suspirou.
— Se a abordagem com remédios não der o resultado esperado e o coágulo não diminuir, então teremos que fazer uma cirurgia. Mas estamos otimistas de que a medicação fará o trabalho.
— Tudo bem. Façam o que for preciso.
Ele assentiu e saiu para dar as ordens à equipe.
— Meu Deus... — a voz de Valentina embargou na mesma hora. Ouvi o barulho de coisas caindo e metal ao fundo. — Eu já estou saindo do trabalho. Estou indo para aí agora mesmo para vê-la.
— Tudo bem. Vou avisar a recepção para liberar a sua entrada.
Encerrei a chamada e guardei o aparelho.
Pouco tempo depois, a porta do quarto se abriu e os enfermeiros trouxeram Rubi de volta. Ela foi transferida com muito cuidado para a cama, ainda profundamente adormecida pelo sedativo.
Sentei na cadeira colada à cama e segurei a mão fria dela com as minhas duas mãos. A respiração dela era lenta e constante, subindo e descendo no ritmo do monitor cardíaco.
Fiquei ali, velando o sono dela. Eu poderia dar qualquer coisa que tivesse, desde que Rubi acordasse e olhasse para mim de novo. Se importar com alguém é um verdadeiro inferno em momentos como esse.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!